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0801681-49.2024.8.19.0026

Comunicações públicas identificadas no Diário da Justiça Eletrônico Nacional. Esta página não informa resultado, situação processual nem partes envolvidas.

Tribunal
TJRJ
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Período
set/2026

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  1. Intimação

    TJRJ · Secretaria da 7ª Câmara de Direito Privado · DESPACHO/DECISÃO

    Apela&ccedil;&atilde;o C&iacute;vel N&ordm; 0801681-49.2024.8.19.0026/RJ TIPO DE A&Ccedil;&Atilde;O: Indeniza&ccedil;&atilde;o por Dano Material APELANTE: REJANNE DA SILVA FERREIRA PONTES LESSA (AUTOR) ADVOGADO(A): VICTORHUGO PEREIRA DUARTE (OAB RJ205898) ADVOGADO(A): MARLON DA SILVA FIGUEIRA (OAB RJ152763) ADVOGADO(A): MARCELI REZENDE GODINHO DA FONSECA (OAB RJ187766) APELADO: APPLE COMPUTER BRASIL LTDA (R&Eacute;U) ADVOGADO(A): BIANCA PUMAR COELHO (OAB RJ093176) ADVOGADO(A): RAPHAEL BURLEIGH DE MEDEIROS (OAB RJ247498) APELADO: DANDY TELEFONIA E INTERMEDIACAO DE NEGOCIOS LTDA (R&Eacute;U) ADVOGADO(A): FERNANDO DE GODOY GUIMAR&Atilde;ES (OAB RJ187585) DESPACHO/DECIS&Atilde;O REJANNE DA SILVA FERREIRA PONTES LESSA ajuizou a&ccedil;&atilde;o indenizat&oacute;ria contra APPLE COMPUTER BRASIL LTDA. E DANDY TELEFONIA E INTERMEDIA&Ccedil;&Atilde;O DE NEG&Oacute;CIOS LTDA. Diz que ganhou de seu marido o celular modelo iPhone 15 Pro Max 250Gb. Acresce que o aparelho foi recebido sem carregador. Salienta que tentou resolver o problema com a segunda r&eacute;, sem surtir efeito. Pede a entrega dos componentes e repara&ccedil;&atilde;o moral. Na contesta&ccedil;&atilde;o, a primeira r&eacute; informa que consta aviso, na caixa do produto, sobre a falta do adaptador de tomada. Ressalta que foi divulgado, em canais de not&iacute;cia, a venda do aparelho sem carregador a partir do iPhone 12. Destaca a possibilidade de o celular ser alimentado por outros meios, tendo em vista a padroniza&ccedil;&atilde;o da sa&iacute;da USB-C. Defende a exist&ecirc;ncia de benef&iacute;cios ambientais, em raz&atilde;o da comercializa&ccedil;&atilde;o do componente em separado. Em contrarraz&otilde;es, a primeira r&eacute; alega a autora sabia da aus&ecirc;ncia do acess&oacute;rio. Aduz a inexist&ecirc;ncia de venda casada, pois o iphone 15 possui conector USB-C, compat&iacute;vel com todos os carregadores. A senten&ccedil;a julgou improcedentes os pedidos. Apela a autora reiterando suas alega&ccedil;&otilde;es. Insiste que a venda do celular sem carregador configura conduta abusiva. Contrarraz&otilde;es apenas da primeira r&eacute;, em prest&iacute;gio do julgado. &Eacute; o relat&oacute;rio. Nos presentes autos, resta incontroversa a venda de aparelho celular sem carregador. O artigo 18 do C&oacute;digo de Defesa do Consumidor estabelece a solidariedade entre os fornecedores de produto de consumo. Ademais, o artigo 39, I e V do mesmo diploma legal pro&iacute;be a venda casada e a vantagem excessiva em favor do fornecedor de produtos. A p&aacute;gina eletr&ocirc;nica da primeira r&eacute; consigna que a garantia legal n&atilde;o &eacute; aplic&aacute;vel &ldquo;a danos causados pelo uso de um componente ou produto de terceiros que n&atilde;o atenda &agrave;s especifica&ccedil;&otilde;es do Produto Apple (as especifica&ccedil;&otilde;es do Produto Apple est&atilde;o dispon&iacute;veis em www.apple.com/br, na se&ccedil;&atilde;o de especifica&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas de cada produto, e nas lojas ( Dispon&iacute;vel em <https://www.apple.com/br/legal/warranty/products/warranty-brazilian-portuguese.html>) A limita&ccedil;&atilde;o da garantia, em caso de inobserv&acirc;ncia das especifica&ccedil;&otilde;es da Apple, importa em restri&ccedil;&atilde;o na aquisi&ccedil;&atilde;o de acess&oacute;rios de terceiros, que n&atilde;o &eacute; afastada por instru&ccedil;&otilde;es constantes da caixa do produto ou veiculadas em canais de not&iacute;cia. Nesse sentido, na hip&oacute;tese de carregamento por outros m&eacute;todos, a empresa poder&aacute; alegar o descumprimento dos requisitos do produto, o que imp&otilde;e risco ao usu&aacute;rio n&atilde;o familiarizado com informa&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas. Assim, a negativa da r&eacute; em fornecer carregadores, junto com o aparelho celular, traduz-se em venda casada indireta, que aumenta o custo do iPhone. Confira-se precedente desta C&acirc;mara: APELA&Ccedil;&Atilde;O C&Iacute;VEL. DIREITO DO CONSUMIDOR. AQUISI&Ccedil;&Atilde;O DE IPHONE 12, DESPROVIDO DE CARREGADOR. PR&Aacute;TICA ABUSIVA DE VENDA CASADA. SENTEN&Ccedil;A QUE JULGOU IMPROCEDENTES OS PEDIDOS. RECURSO DA CONSUMIDORA. REFORMA DO DECISUM. A venda casada &eacute; pr&aacute;tica abusiva e, de acordo com o artigo 39, I e V do C&oacute;digo de Defesa do Consumidor, ocorre quando o fornecedor de determinado bem ou servi&ccedil;o imp&otilde;e para a sua venda a aquisi&ccedil;&atilde;o de outro bem ou servi&ccedil;o pelo consumidor, a exigir vantagem manifestamente excessiva. No caso em tela, a comercializa&ccedil;&atilde;o de aparelho celular sem o carregador de energia configurou venda casada porque obrigou a consumidora a adquirir, de forma separada e onerosa, um item essencial para o funcionamento do bem de forma adequada, plena, satisfat&oacute;ria e segura. Principalmente no caso de iPhones, cujo padr&atilde;o dos conectores USB-C para "Lightning", se mostra incompat&iacute;vel, at&eacute; mesmo, com modelos anteriores fabricados pela pr&oacute;pria Apple. Apelada que se isenta de fornecer garantia dos seus produtos, quando da utiliza&ccedil;&atilde;o de componentes de terceiros, a se favorecer do seu pr&oacute;prio comportamento. A informa&ccedil;&atilde;o de que o aparelho telef&ocirc;nico desacompanha o carregador, por si s&oacute;, n&atilde;o &eacute; h&aacute;bil a afastar a pr&aacute;tica de venda casada, j&aacute; que obriga o consumidor a comprar o carregador para poder utilizar o telefone, a ferir, dentre outros, a sua liberdade de escolha. Evidenciada a pr&aacute;tica abusiva e ilegal de venda casada, o ressarcimento pela compra do carregador, no valor de R$ 169,00 (cento e sessenta e nove reais), se imp&otilde;e. Danos morais caracterizados. Quantum compensat&oacute;rio. Utiliza&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todo bif&aacute;sico para arbitramento. Valoriza&ccedil;&atilde;o do interesse jur&iacute;dico lesado e das circunst&acirc;ncias do caso concreto. Aplica&ccedil;&atilde;o da Teoria do Desvio Produtivo do Consumidor. Valor de R$ 3.500,00 (tr&ecirc;s mil e quinhentos reais) que atende aos princ&iacute;pios da proporcionalidade e da razoabilidade em melhor sintonia com precedentes dos tribunais em circunst&acirc;ncias similares. Invers&atilde;o do &ocirc;nus de sucumb&ecirc;ncia, de sorte que dever&aacute; a apelada arcar exclusivamente com o pagamento das despesas processuais e dos honor&aacute;rios sucumbenciais, retificados para 10% (dez por cento) sobre o valor da condena&ccedil;&atilde;o imposta. PROVIMENTO DO RECURSO. (Apela&ccedil;&atilde;o 0811695-59.2023.8.19.0210 - Des(a). Alcides da Fonseca Neto - Julgamento: 22/10/2024 - S&eacute;tima C&acirc;mara de Direito Privado) No que se refere aos benef&iacute;cios ambientais, o relat&oacute;rio apresentado no apelo foi produzido unilateralmente pela recorrente. N&atilde;o foi, portanto, observado seu &ocirc;nus probat&oacute;rio. A situa&ccedil;&atilde;o se ajusta com perfei&ccedil;&atilde;o &agrave; teoria do desvio produtivo do consumidor. Sempre que o cidad&atilde;o &eacute; obrigado a desperdi&ccedil;ar tempo de vida para resolver problemas de consumo que n&atilde;o deveriam existir, h&aacute; les&atilde;o extrapatrimonial a ser reparada. Quanto ao arbitramento, a indeniza&ccedil;&atilde;o deve observar o crit&eacute;rio de proporcionalidade preconizado pela S&uacute;mula n&ordm; 343 deste Tribunal. Ante o exposto, dou provimento ao recurso da autora, monocraticamente, com aplica&ccedil;&atilde;o do artigo 932, V, &ldquo;a&rdquo; do CPC, para condenar solidariamente as r&eacute;s &agrave; entrega de um carregador de tomada para o aparelho &ldquo;IPhone 15 PRO MAX 250GB&rdquo;, bem como ao pagamento de indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais, que fixo em R$ 3.500,00, corrigida desta data, com juros de mora a contar da cita&ccedil;&atilde;o. Custas e honor&aacute;rios pela r&eacute;, arbitrados em 20% do valor da condena&ccedil;&atilde;o.

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