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Tribunal
TRF6
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1 publicação
Período
set/2026
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Intimação
TRF6 · 6ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Federais de Minas Gerais · DESPACHO/DECISÃO
RECURSO CÍVEL Nº 6002735-35.2024.4.06.3822/MG
RECORRENTE: EVERTON SILVA CRUZ (AUTOR)
ADVOGADO(A): ALEXANDRE HENDLER HENDLER (OAB RS059891)
ADVOGADO(A): SERGIO UEILER RODRIGUES LOPES (OAB RS075767)
ADVOGADO(A): PHILIPPE SEELIG RODAKOVSKI (OAB RS090684)
DESPACHO/DECISÃO
Como o caso envolve jurisprudência qualificada (recurso repetitivo), é possível o julgamento monocrático pelo relator.
Recurso do autor de sentença que julgou improcedente o pedido de concessão do benefício de auxílio-acidente.
A sentença deve ser mantida.
O laudo pericial informa que o autor, 24 anos na data da perícia, trabalhador rural, apresenta “fratura diafisária do fêmur S72.3, tratada cirurgicamente com melhora total. Não há sequelas objetivas. Apresenta membro sem deformidades, mobilidade articular livre e completa, indolor, sem prejuízo de força. Retornou ao trabalho habitual sem evidência de limitações”. O perito acrescenta que “Capacidade preservada, sem limitações” e que “Não há redução da capacidade laboral”.
O STJ, no REsp 1109591/SC, repetitivo (tema 416), concluiu que a redução da capacidade laborativa, ainda que de grau leve, enseja a concessão do benefício de auxílio-acidente. Confira:
“PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. AUXÍLIO-ACIDENTE. LESÃO MÍNIMA. DIREITO AO BENEFÍCIO. 1. Conforme o disposto no art. 86, caput, da Lei 8.213/91, exige-se, para concessão do auxílio-acidente, a existência de lesão, decorrente de acidente do trabalho, que implique redução da capacidade para o labor habitualmente exercido. 2. O nível do dano e, em consequência, o grau do maior esforço, não interferem na concessão do benefício, o qual será devido ainda que mínima a lesão. 3. Recurso especial provido. (REsp 1109591/SC, Rel. Ministro CELSO LIMONGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 08/09/2010)”
O auxílio-acidente é regulamentado pelo artigo 104 do Decreto 3.048/99, que dispõe: “O auxílio-acidente será concedido, como indenização, ao segurado empregado, exceto o doméstico, ao trabalhador avulso e ao segurado especial quando, após a consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultar sequela definitiva, conforme as situações discriminadas no anexo III (...)”. A jurisprudência do STJ sobre lesão mínima precisa ser contextualizada com o caso concreto, considerando-se outros fatores como o nexo de causalidade entre a redução e a profissão habitual, assim como a presença de sequela, ainda que leve, mas que possa afetar e comprometer a capacidade de trabalho.
No caso, não houve redução da capacidade laborativa nos termos exigidos pela legislação, tampouco foi demonstrada lesão mínima, na linha da jurisprudência do STJ/TNU. Logo, é o caso de manter a sentença de improcedência.
Diante do exposto, nego provimento ao recurso. Custas e honorários fixados em 10% do valor da causa pela parte autora. Condenações suspensas pela justiça gratuita.
Uberlândia/MG, data da assinatura.