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Tribunal
TRF4
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2 publicações
Período
set/2026
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Linha do tempo
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Intimação
TRF4 · SECRETARIA DA 3a. TURMA · Acórdão
Agravo de Instrumento Nº 5023407-87.2026.4.04.0000/RS
RELATOR: Desembargador Federal CÂNDIDO ALFREDO SILVA LEAL JUNIOR
AGRAVANTE: ANTONIO WELLINGTON DA SILVA
ADVOGADO(A): WILLIAM BITENCOURT (OAB RS136526)
AGRAVADO: VITTORINO EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS SPE LTDA
ADVOGADO(A): CELSO EDUARDO MEDEIROS DA SILVA (OAB RS046717)
ADVOGADO(A): RODRIGO PINTO NUNES (OAB RS063557)
ADVOGADO(A): GUILHERME LUCIANO TERMIGNONI (OAB RS069705)
ADVOGADO(A): DEBORA SOUTO GASTAL (OAB RS116027)
AGRAVADO: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL - CEF
AGRAVADO: BOLOGNESE EMPREENDIMENTOS LTDA
ADVOGADO(A): CELSO EDUARDO MEDEIROS DA SILVA (OAB RS046717)
ADVOGADO(A): RODRIGO PINTO NUNES (OAB RS063557)
ADVOGADO(A): GUILHERME LUCIANO TERMIGNONI (OAB RS069705)
ADVOGADO(A): DEBORA SOUTO GASTAL (OAB RS116027)
EMENTA
DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. AGRAVO DE INSTRUMENTO. TUTELA DE URGÊNCIA. RESCISÃO DE CONTRATO DE COMPRA E VENDA E MÚTUO HABITACIONAL. VÍCIO DE CONSENTIMENTO. DESPROVIMENTO DO RECURSO.
I. CASO EM EXAME:
1. Agravo de instrumento interposto contra decisão que indeferiu pedido de tutela de urgência para suspender a exigibilidade de obrigações oriundas contratos de promessa de compra e venda de imóvel e de mútuo habitacional, obstar cobranças, a aplicação de cláusula penal e a inscrição do autor em cadastros restritivos de crédito.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO:
2. A questão em discussão consiste em saber se estão presentes os requisitos para a concessão de tutela de urgência para suspender as obrigações contratuais, sob a alegação de vício de consentimento decorrente de informações divergentes sobre o prazo de entrega do imóvel prestadas por corretor na fase pré-contratual.
III. RAZÕES DE DECIDIR:
3. A concessão da tutela de urgência exige a presença cumulativa da probabilidade do direito e do perigo de dano, conforme o art. 300 do CPC.
4. A rescisão contratual por vício de consentimento é medida excepcional que demanda dilação probatória ampla, sendo inviável o seu reconhecimento em sede de cognição sumária.
5. Os instrumentos contratuais assinados preveem expressamente prazos de entrega posteriores ao alegado pelo autor, o que afasta, em análise preliminar, a verossimilhança da alegação de dolo determinante da contratação.
6. As informações prestadas por corretor de imóveis na fase pré-contratual não prevalecem sobre as cláusulas expressas dos contratos de promessa de compra e venda e de mútuo habitacional efetivamente pactuados.
7. As provas de mensagens eletrônicas e áudios de aplicativos devem, preferencialmente, ser apresentadas por meio de ata notarial, nos termos do art. 384 do CPC, para garantir a segurança jurídica de sua existência e conteúdo.
8. A ausência de demonstração de descumprimento contratual por parte das rés impede a suspensão da exigibilidade dos encargos financeiros assumidos pelo adquirente.
IV. DISPOSITIVO E TESE:
10. Recurso desprovido.
Tese de julgamento: 11. A alegação de vício de consentimento decorrente de informação extracontratual divergente prestada por corretor de imóveis demanda dilação probatória, não autorizando, em cognição sumária, a suspensão das obrigações de contratos de promessa de compra e venda e de mútuo habitacional regularmente assinados.
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Egrégia 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região decidiu, por unanimidade, negar provimento ao agravo de instrumento, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.
Porto Alegre, 08 de setembro de 2026.