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5015795-75.2025.4.04.7003

Comunicações públicas identificadas no Diário da Justiça Eletrônico Nacional. Esta página não informa resultado, situação processual nem partes envolvidas.

Tribunal
TRF4
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set/2026

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  1. Intimação

    TRF4 · 6ª Vara Federal de Maringá · Ato ordinatório

    PROCEDIMENTO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL Nº 5015795-75.2025.4.04.7003/PR AUTOR: RUTE DE SOUZA ADVOGADO(A): CIBELE NOGUEIRA DA ROCHA (OAB PR030068) ATO ORDINATÓRIO De ordem do juiz federal, abro vista às partes para cientificação, no prazo de 5 dias, acerca da degravação dos vídeos apresentados, produzidos pela própria parte e/ou em audiência, cujo conteúdo segue abaixo, medida esta adotada com o intuito de aprimorar e conferir maior celeridade à instrução processual. A degravação foi executada por meio do uso de inteligência artificial, seguindo de forma rigorosa a literalidade dos áudios que foram apresentados. CONTEÚDO DA DEGRAVAÇÃO: DEPOIMENTO DA PARTE AUTORA CONCILIADOR: Fala o nome completo da senhora para mim, por favor. PARTE AUTORA: Rute de Souza CONCILIADOR: Dona Rute, a senhora consegue falar o número do seu RG para mim? PARTE AUTORA: RG. CONCILIADOR: Isso. PARTE AUTORA: É 126552130. CONCILIADOR: E o número do seu CPF? PARTE AUTORA: 04 2 447 11 9 1 0. CONCILIADOR: Eh, qual que é o Seu endereço, dona Rute, onde a senhora mora? PARTE AUTORA: Que eu moro é sítio Salete Strosate. CONCILIADOR: Qual cidade fica esse sítio? PARTE AUTORA: Itaguajé. CONCILIADOR: Município de Itaguajé. PARTE AUTORA: É município de Itaguajé. CONCILIADOR: Dona Rute, a senhora está ciente que deve dizer a verdade sobre pena de cometer o crime de falso testemunho? PARTE AUTORA: Sim. CONCILIADOR: Certo. Dona Rute, eh, a senhora trabalhou na roça? PARTE AUTORA: Trabalhei. CONCILIADOR: E a senhora se recorda onde que a senhora trabalhava na roça? Eh, quando que foi isso? Na onde que a senhora trabalhava na roça? PARTE AUTORA: Fazenda Santa Cristina e usina central. CONCILIADOR: A senhora trabalhava nesses lugares? PARTE AUTORA: É, nesses lugares. CONCILIADOR: E onde a senhora morava quando a senhora trabalhava nesses lugares? PARTE AUTORA: Morava em Porecatu. CONCILIADOR: Morava na cidade. PARTE AUTORA: Na cidade de Porecatu. CONCILIADOR: Certo. E quando que a senhora começou a trabalhar nessas fazendas que a senhora falou? A senhora lembra o ano, a época? PARTE AUTORA: Foi em 1977. CONCILIADOR: E como que a senhora lembra que foi esse ano? PARTE AUTORA: No ano que eu casei, 77. CONCILIADOR: Ah, entendi. Então, a senhora se casou e passou a trabalhar de boia fria. É isso? PARTE AUTORA: De boia fria. CONCILIADOR: Entendi. E qual as lavouras que a senhora trabalhava, dona Rute? PARTE AUTORA: É algodão, cana, café. É algodão, cana, café e milho. CONCILIADOR: Milho. CONCILIADOR: Certo. E, por exemplo, o que que a senhora fazia no algodão? Que que era feito no algodão? PARTE AUTORA: Eu catava algodão. CONCILIADOR: Só, só colhei o algodão. PARTE AUTORA: Colheu algodão e carpia também, né? CONCILIADOR: e na lavoura de milho. PARTE AUTORA: E milho quebrava milho CONCILIADOR: e na cana PARTE AUTORA: cortava cana CONCILIADOR: e no café que que era feito café PARTE AUTORA: eu limpava trampo e rastelava e banava CONCILIADOR: e do que que a senhora ia CONCILIADOR: do que que a senhora ia trabalhar nessas fazendas que a senhora falou PARTE AUTORA: nós ia de caminhão. CONCILIADOR: De caminhão? PARTE AUTORA: É. CONCILIADOR: E quem que levava vocês? PARTE AUTORA: Levaram o seu Orlando e seu Raimundo. CONCILIADOR: Esse esse Esses senhores que a senhora falou que levava vocês, ele era um funcionário era um gato. PARTE AUTORA: Eles eram gato. PARTE AUTORA: O gato carregava tudo. Cada ponto pegava tudo. CONCILIADOR: Aí passava no ponto pegando vocês para trabalhar. PARTE AUTORA: É. CONCILIADOR: E a senhora ia todo dia? PARTE AUTORA: Todo dia. Só no domingo que não. CONCILIADOR: Certo. E quando que a senhora recebia por esse serviço? PARTE AUTORA: Recebia por semana. Final todo sábado recebia. CONCILIADOR: Todo sábado a senhora recebia? PARTE AUTORA: É. Todo sábado. CONCILIADOR: Eh, naquela época era cheque, tinha recibo. Como que era? Ou não tinha recibo? PARTE AUTORA: Não tinha recibo. Era boia fria, né? Não tinha rebo. Não CONCILIADOR: entendi. Tinha maquinários para ajudar na colheita? PARTE AUTORA: Não. Braçal. CONCILIADOR: Serviço braçal. E nessa época o seu esposo, ele trabalhava também? PARTE AUTORA: Lá de campeiro, era seminador e tirava leite. É campeiro. Seminador tirava leite. CONCILIADOR: Entendi. Ele não. Aí a senhora trabalhava de boia fria. Era PARTE AUTORA: boia fria para ajudar em casa. CONCILIADOR: Para ajudar em casa. Só ele não dava conta do serviço. PARTE AUTORA: Não, não. CONCILIADOR: Então era necessário a senhora trabalhar todos os dias. PARTE AUTORA: Trabalhar todos os dias. Só salário mesmo não dá. CONCILIADOR: Entendi. E nessa época Vocês sobreviviam de outra renda ou só era a renda rural mesmo? PARTE AUTORA: Só era rural mesmo. CONCILIADOR: Não tinha outra renda? PARTE AUTORA: Tinha não. Outra renda não. CONCILIADOR: E a senhora ficou trabalhando dessa forma de boia fria e em Porecatu por quanto tempo? Mais ou menos? PARTE AUTORA: Até 10 anos até quando eu fui pra fazenda Santo Antônio. CONCILIADOR: A senhora ficou morando lá por por 10 anos? É. É isso. PARTE AUTORA: É. Depois ela f pra fazenda Santo Antônio. CONCILIADOR: E essa fazenda Santo Antônio ficava em qual cidade? PARTE AUTORA: Porecatu. CONCILIADOR: Porecatu também. É. PARTE AUTORA: É. CONCILIADOR: E de quem que era essa fazenda Santo Antônio? PARTE AUTORA: Seu Rubens Berpa, PARTE AUTORA: seu Rubens. PARTE AUTORA: É, CONCILIADOR: certo? E a senhora trabalhava de que forma na fazenda dele? PARTE AUTORA: Era algodão e café. CONCILIADOR: Algodão e café. E assim, eh, vocês arrendavam terra? Era na diária? Era boia fria. Como que era? PARTE AUTORA: Não era boia fria. CONCILIADOR: Também trabalhava lá com boia fria. PARTE AUTORA: É, com boia fria. CONCILIADOR: Entendi. Era uma fazenda grande? Tinha várias famílias que morava lá. Como que era? PARTE AUTORA: Fazenda grande. Tinha três famílias. Uma fazenda era bem grande. Tinha três famílias. CONCILIADOR: Só tinha três. famílias que moravam lá. As famílias que morava lá. CONCILIADOR: E a senhora lembra o tamanho da propriedade ou não? PARTE AUTORA: Lembro que era bem grande. CONCILIADOR: Entendi. E essas famílias moravam também? Trabalhavam na fazenda? PARTE AUTORA: Trabalhavam na fazenda. CONCILIADOR: Eh, a senhora lembra assim o nome de algum sítio, vizinho, algum sítio próximo lá da fazenda Santo Antônio? PARTE AUTORA: Que a Santa Cristina, a São Benedite e a Racha. CONCILIADOR: Era vizinho lá. PARTE AUTORA: Era vizinho. CONCILIADOR: Entendi. E lá como que a senhora recebeu o pagamento também? PARTE AUTORA: Dia de sábado. CONCILIADOR: Dia de sábado. PARTE AUTORA: É. CONCILIADOR: E Então era assim, a senhora trabalhava todos os dias e recebia no final de semana igual boia fria. PARTE AUTORA: É, igual a boia fria. CONCILIADOR: E lá nessa fazenda tinha pessoas que vinham de fora trabalhar lá também, fazer diária. PARTE AUTORA: Fazia diária, Boia Fria, né? Também, CONCILIADOR: também vinham pessoas de fora. PARTE AUTORA: Pessoas de fora da Boia Fria. CONCILIADOR: Entendi. E o seu esposo, ele também trabalhava lá nessa fazenda? PARTE AUTORA: Trabalhava, só que ele era seminador e tirava leite. CONCILIADOR: Ah, tá. Então ele trabalhava nessa parte, né, com com gado e a senhora trabalhava na parte da lavoura. É isso. PARTE AUTORA: Lavoura. CONCILIADOR: Entendi. E E lá morava só a senhora e o marido. PARTE AUTORA: É. E os filhos. CONCILIADOR: A senhora já tinha filho? PARTE AUTORA: Já tinha os filhos. CONCILIADOR: Então era necessário a senhora trabalhar? PARTE AUTORA: É necessário trabalhar baixo lá em casa que só um salarinho. CONCILIADOR: Então o serviço que a senhora fazia ali, a senhora complementava a renda da casa no final de semana. É isso? PARTE AUTORA: Isso. Isso. CONCILIADOR: Recebia pro final de semana, né? E quando a senhora morou lá nessa fazenda Santo Antônio com o esposo, né? Com sua família e seus filhos, eh a senhora tinha outra renda ou seu marido tinha uma outra renda sem ser da lá do serviço rural da roça. PARTE AUTORA: Não, isso aqui é da roça mesmo, no serviço dele. CONCILIADOR: Sobrevivia só dessa renda? PARTE AUTORA: Só dessa renda. CONCILIADOR: E a senhora ficou morando nessa fazenda Santo Antônio, trabalhando dessa forma lá. Até quando? Por quanto tempo a senhora ficou morando? PARTE AUTORA: De três a 4 anos essa fazenda. CONCILIADOR: E depois a senhora foi para onde? PARTE AUTORA: Mudou pro Congo. Fazenda Congo. CONCILIADOR: Fazenda Congo. PARTE AUTORA: É a Fazenda Congo. CONCILIADOR: Ficava ali perto também. PARTE AUTORA: É. É. Fazenda do Atala, que é muito grande, né? Que é um coro muito rico do Tatala. Tinha bastante fazenda ali. CONCILIADOR: Tá. Então, o dono dessa fazenda Congo era um grupo PARTE AUTORA: a, era um grupo, era uma família que tinha várias fazendas. É isso. Era muito rico, tinha muitas fazendas. Eles eram muito rico. CONCILIADOR: Entendi. E essa fazenda Congo era deles também, onde a senhora morava. PARTE AUTORA: Era, era deles. CONCILIADOR: E era também no município de Porecatu. PARTE AUTORA: Município de Porecatu. CONCILIADOR: E a senhora se mudou para lá? Mesma coisa com seu marido, com seus filhos? PARTE AUTORA: É, com meu marido, meus filhos. Trabalho no serviço dele, né? Era disseminador, tirava leite na fazenda. CONCILIADOR: Ah, ele continuou fazendo esse serviço nessa fazenda também. fazenda também. Isso que ele sabia fazer. CONCILIADOR: E e qual a lavoura que tinha nessa fazenda? A senhora trabalhava lá fazendo o quê? Como que era? PARTE AUTORA: Era cana e mais é leite, né? Era cana. CONCILIADOR: Cana. Aí a senhora trabalhava lá na fazenda na cana. PARTE AUTORA: É. CONCILIADOR: E e só trabalhava lá como que era? PARTE AUTORA: De boia fria. Daí o caminhão leva nós para outras fazendas. Daí era só trabalhava outras fazendas. CONCILIADOR: Entendi. Cana a mesma coisa. CONCILIADOR: Entendi. Então a senhora morava lá, lá tinha gado e tinha cana. A senhora fazia diária na cana e quando acabava, por exemplo, o corte de cana, a senhora ia fazer de em outras fazendas vizinha. PARTE AUTORA: Fazenda vizinha. CONCILIADOR: Ah, tá, entendi. E com quem que que que vocês iam? Ia do quê? Como que era? PARTE AUTORA: De caminhão, Seu Raimundo e Seu Orlando, que levava turma. CONCILIADOR: Ah, e os gatos passavam pegar para levar? PARTE AUTORA: Passava pegar nos pontos para levar mais pra fazenda, CONCILIADOR: certo? E essa fazenda também era grande. Outras famílias trabalhavam lá assim igual vocês. PARTE AUTORA: Era grande. Era bastante fazenda, era bastante colônica, a fazenda era grande. CONCILIADOR: Tinha assim, vamos vamos supor assim, mais de 10, 20 famílias que moravam lá. Era bastante PARTE AUTORA: Mais de 20 famílias, 30 famílias trabalhando, era bastante. CONCILIADOR: Entendi. Eh, e qual as fazendas vizinhas que a senhora ia fazer diária nessa época? PARTE AUTORA: Fazenda Aparecida e Água das Flor. CONCILIADOR: Era as fazendas que a senhora ia fazer diária quando acabava a cana ali. PARTE AUTORA: É, quando acabava a cana nois ia. CONCILIADOR: Entendi. E era lavoura do que que a senhora ia fazer nessas fazendas? PARTE AUTORA: Era algodão e café. CONCILIADOR: Entendi. PARTE AUTORA: Nois carpia algodão e colhia café. CONCILIADOR: Entendi. E trabalhava todo dia PARTE AUTORA: todo dia, até no sábado, até na sexta, no sábado nós recebeu pagamento. CONCILIADOR: Entendi. E recebi o pagamento no final de semana, a mesma coisa. PARTE AUTORA: Mesma coisa final de semana trabalha de boia fria. CONCILIADOR: Ô, ô, dona Rute, e assim, era necessário? A senhora tinha que trabalhar? PARTE AUTORA: Tinha que trabalhar, necessário. Tinha que trabalhar CONCILIADOR: para ajudar em casa na renda. PARTE AUTORA: Ajudar na renda dos filhos, né? Era do pequeno que ele tem. CONCILIADOR: Entendi. Trabalhar. CONCILIADOR: E nessa época também não tinha outra renda sem ser da roça, era só o serviço rural. PARTE AUTORA: Só serviço rural. Não tinha outra renda não. CONCILIADOR: E a A senhora ficou morando nessa fazenda Congo que a senhora falou e trabalhando lá até quando ou por quanto tempo? A senhora lembra? PARTE AUTORA: Até 2014 meu marido morreu. CONCILIADOR: Aí ele morreu e a senhora saiu de lá. PARTE AUTORA: Sai lá mudar pra cidade. CONCILIADOR: Aí a senhora mudou pra cidade. PARTE AUTORA: Mudou pra cidade. DEPOIMENTO DA TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO) CONCILIADOR: Fala o nome completo da senhora para mim, por favor. TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Maria das Graças Vieira. CONCILIADOR: Repete que eu acho que cortou. TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Maria das Graças Vieira Santo. CONCILIADOR: Dona Maria, a senhora eh está ciente que deve dizer a verdade sob pena de cometer o crime de falso testemunho? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Sim. CONCILIADOR: Fala o endereço da senhora para mim, fazendo favor. Senhora, lembra o nome da rua, o número da casa que a senhora mora? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Menina, eu sou novata. Pera aí. Geraldo Lope. Rua Geraldo Lope. CONCILIADOR: E o número da casa? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): 2310. CONCILIADOR: É qual município? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Eh, Poricatu, CONCILIADOR: certo? E a senhora é amiga ou parente da Rute? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Não, eu só conheço ela. Não sou amiga não. CONCILIADOR: Dona Maria, eh, a senhora chegou a trabalhar junto com a dona Rute? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Trabalhei. CONCILIADOR: E a senhora trabalhou com ela? Em que período? A senhora se recorda o ano que a senhora começou a trabalhar com a dona Rute? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): 77. CONCILIADOR: E vocês trabalharam juntas onde? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Aonde CONCILIADOR: isso? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Na Santo Antônio, na Gereivá. CONCILIADOR: Eh, esses nomes que a senhora está falando é fazendas. TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): É, na Santa Cristina, certo? CONCILIADOR: Eh, e vocês moravam onde essa época? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Na cidade. CONCILIADOR: Tanto a senhora quanto ela moravam na cidade. TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): É, CONCILIADOR: nessa época a dona Rute morava com quem? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Com o marido dela. CONCILIADOR: Ela já era casada? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Já era casada. É. CONCILIADOR: E qual município que vocês moravam? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Na cidade de Porecatu, CONCILIADOR: certo? E essas propriedades que a senhora citou, eh, ficavam tudo na região de Poricatu? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): É, tudo na região de Poricatu. CONCILIADOR: E qual o tipo de serviço que vocês faziam? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Era café, milho, algodão, cana. CONCILIADOR: E era boia fria. Então, na nessa época TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): É boia fria. CONCILIADOR: Aí cada dia vocês iam em uma propriedade trabalhar. É isso? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Isso. CONCILIADOR: Por exemplo, a senhora consegue falar para mim eh qual atividade era feita na lavoura de algodão? O que que vocês faziam no algodão? Eh, o que que vocês faziam no milho, eh, na cana? Que que era feito? Qual o processo que era feito em cada lavoura? A senhora se recorda? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): É, é catava algodão, a cana cortava a cana, café colhia no pano, certo? CONCILIADOR: E do que que vocês iam trabalhar naquela época? Qual transporte? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): No de caminhão boia fria. CONCILIADOR: E quem que levava vocês? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): É os gatos. CONCILIADOR: Gato era era o a pessoa que que levava vocês. Era o motorista. É isso? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): É a pessoa que levava. CONCILIADOR: Entendi. Aí qual horário que vocês saíam de casa e e voltavam TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): 5 horas CONCILIADOR: saía de manhãzinha e voltava qual qual horário na parte da tarde TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): 6 horas CONCILIADOR: vocês utilizavam maquinários eh como que era feito o processo lá na nas lavouras tinha máquina ou era manual como que fazia TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): não era na mão CONCILIADOR: o serviço era todo braçal TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): não quando era carpi era com a enxada né CONCILIADOR: sim é ferramentas, mas máquina não tinha. TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Uhum. CONCILIADOR: Eh, e como que vocês recebiam o pagamento naquela época? De que forma que era feito o pagamento? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): É, por semana. Toda semana nós recebia. CONCILIADOR: Quem que efetuava o pagamento para vocês? Era o próprio patrão, o dono da terra, o gato? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Era o era o gato. CONCILIADOR: E nessa época era necessário a Rute trabalhar? Era essencial pro sustento da família, pra renda da casa? Ela tinha que trabalhar. TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Ela tinha que trabalhar com que era pouco para eles, né? Do ganho deles. CONCILIADOR: E ela ia pra roça todos os dias. TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Todos os dias, CONCILIADOR: certo? E a senhora se recorda se eles tinham uma outra renda sem ser a renda da lavoura, se ela fazia algum outro serviço urbano ou era só serviço da roça? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Só o da roça. Eles não tinham outro serviço não. CONCILIADOR: Certo. E por quanto tempo que a senhora ficou trabalhando com ela dessa forma de boia fria aí no município de Porcatu? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Uns 10 anos. CONCILIADOR: Tá aí o que que aconteceu? Vocês pararam de trabalhar juntas? Ela se mudou? A senhora se mudou? O que que aconteceu? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Ela ela mudou pra fazenda de Santo Antônio. Aí nós qu não se via mais. CONCILIADOR: Ela mudou para uma fazenda chamada Santo Antônio. TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): É. Aí nós servia na roça. CONCILIADOR: Aí a senhora eh continua morando na cidade? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Continuo. CONCILIADOR: Ah, tá. Só para eu entender. Então, a senhora continuou morando na cidade, ela se mudou para uma outra para uma fazenda chamada Santo Antônio. E a senhora ia trabalhar lá? Como que era? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Ia, ia trabalhar lá. CONCILIADOR: A senhora ia fazer diária lá? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Ia. CONCILIADOR: Continuou? A senhora continuou trabalhando de boia fria e ela foi trabalhar nessa fazenda e a senhora via ela e continuou trabalhando junto com ela. É isso. TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Isso é verdade isso aí. CONCILIADOR: Tá. Essa propriedade também ficava pertencia ao município de Porecatu. TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): É. É. CONCILIADOR: E, e qual a lavoura que que que vocês trabalhavam lá? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Na Cana, Bodão, várias lavoura lá nessa fazenda. CONCILIADOR: É certo. E lá ela morava com quem? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Com o marido dela. CONCILIADOR: Tá. Eh, era uma propriedade, a senhora se recorda se era uma propriedade grande, se tinha outras famílias que também trabalhavam lá, se tinha colônia de casa. A senhora se recorda? Se tinha outras famílias que moravam lá? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Recordo sim. CONCILIADOR: Tinha mais pessoas que também moravam e trabalhavam lá? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Tinha. CONCILIADOR: É, era uma propriedade grande. A senhora se recorda mais ou menos quantos alqueires tinha? Ou a senhora não tem lembrança? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Não, eu não tenho lembrança com quer diinha, não CONCILIADOR: e a senhora se recorda os vizinhos de propriedade dessa fazenda Santo Antônio, por exemplo, quem tinha o nome ou da propriedade ou o nome do do patrão daquela época dessas fazendas, eh, de frente, de lado, quem tinha propriedade lá perto? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Eh, Antônio Verba tinha propriedade lá perto. Ela é dono da fazenda Santa Antônio. CONCILIADOR: Ah, sim. O dono da fazenda Santo Antônio. TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Isso. CONCILIADOR: Como que era o nome dele? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Antônio Verba. CONCILIADOR: Certo. E, e os vizinhos, a senhora lembra do nome de algum vizinho ou nome de sítio ou fazenda lá próximo? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Não, de não lembro não. Vizinho não. CONCILIADOR: Certo. E a senhora ficou trabalhando, indo fazer diária nessa fazenda Santo Antônio por quanto tempo mais ou menos? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): uns 6 anos. CONCILIADOR: 6 anos a senhora ficou indo lá. TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): É. É. CONCILIADOR: E esses 6 anos a Rute morou lá. TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Morou. CONCILIADOR: E depois disso vocês perderam o contato ou como que foi? TESTEMUNHA (MARIA DAS GRAÇAS VIEIRA SANTO): Teve sim. DEPOIMENTO DA TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA) CONCILIADOR: Fala o nome completo da senhora para mim, por favor. TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Geralda Aparecida de Jesus Silva. CONCILIADOR: Dona Geralda, eh, qual é o seu endereço? TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Porecatu, Vila Iguaçu, 284. CONCILIADOR: Certo. Eh, a senhora sabe o número do seu RG e CPF? TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Meu RG é 4065. 57312. O CPF é 66432 31934. CONCILIADOR: Certo. A senhora está ciente que deve dizer a verdade sobre a pena de cometer o crime de falso testemunho? TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Sim. CONCILIADOR: A senhora, dona Geralda, é amiga ou parente da dona Rute? TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Não, sou só conhecida. CONCILIADOR: Certo. Eh, a senhora chegou a trabalhar com ela na roça? Tem conhecimento que ela trabalhou na roça. TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Sim, tenho conhecimento do ano de 90 a 95, mais ou menos. Eh, era corte de cana, colheita de algodão. Eh, trabalhava no pelo grupo Atala, que era o grupo que que fazia parte da cidade, que hoje em dia não tem mais, né? CONCILIADOR: Certo. TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): E ela morava na fazenda Congo. O marido dela trabalhava no departamento de animal e ela fazia boia fria na fazenda Candiolina, na Aparecida, na central. CONCILIADOR: Tá? Então, só para eu entender, a senhora trabalhou com ela de boia fria. TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Isto CONCILIADOR: ela morava nessa fazenda que a senhora falou e ia fazer diário de boia fria em outras propriedades. TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Isso. CONCILIADOR: Lá nessa fazenda que ela morava não tinha lavoura, era só gado. TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Tinha era gado. Em volta tinha canas, então a gente saía nas fazendas vizinhas para trabalhar. CONCILIADOR: Certo. E nessa lavoura de cana, ela também trabalhava? TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Em trabalha cortando cana, às vezes ia colher algodão, passava os gatos de manhã, pegava a gente para ir trabalhar. CONCILIADOR: Entendi. E essa fazenda que ela morava pertencia a quem? TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Ao grupo Atala, que é uma fazenda Congo, que tem várias outras repartições. Tem a vila torta, a vila industrial, a Fazenda Aparecida, que era vizinha, a Fazenda Santa Teresa. CONCILIADOR: Tá? Então, essa fazenda que ela morava e e essa usina que a senhora citou, né? Usina central e outras fazem Pertencia a esse grupo, essa família Tala. TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Isso. Pertencia à Fazenda Tala. CONCILIADOR: Entendi. Eh, e qual horário que vocês saíam para trabalhar? Qual horário vocês retornavam? Como que era? TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): 5 da manhã a gente chegava média de 6:30, 7 da da noite, que até que saía do serviço da fazenda, que chegava na casa, né? Saía dividindo o pessoal nos seus pontos. CONCILIADOR: Entendi. Eh, e a senhora eh, se recorda como que vocês recebiam o pagamento na Aquela época, TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): ó, quem trabalhava de boia fria era semanal. CONCILIADOR: Então vocês recebiam por semana. TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Isto CONCILIADOR: vocês utilizavam algum tipo de maquinário? TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Não, era o corte de cana seria facão, algodão era com as mãos, né? Um escolhia mais, outro escolhia menos, mas antigamente era era assim. CONCILIADOR: Tá. Por exemplo, a senhora citou o algodão. O que que era feito no algodão? O que que vocês faziam? Atividade algodão. TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): O algodão tempo da colhe A gente escolhi o algodão com a mão, que era as as maçãs que estavam abertas, não podia deixar para trás, raleava o algodão, tempo de car para carp algodão. Era esse tipo de serviço. CONCILIADOR: Entendi. Eh, quem eram os vizinhos? Outras propriedades que tinha ali perto da fazenda Congoga, a senhora se recorda? TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Tinha a fazenda, a fazenda Aparecida, eh, tinha a Vila Torta, que tudo fazia parte. A fazenda Santa Teresa era um pouquinho para lá da fazenda Congo. Eh, tinha um sítio do Dr. Henrique, a fazenda Salamanca e depois mais longinho um pouquinho tinha a central. Essa aí já era mais longe, né? A Gerivá, Santa Cristina, tudo era um pouquinho mais longe. CONCILIADOR: Entendi. Eh, e nessa época a Rute, né, e o esposo que a senhora falou que ela morava com o esposo, né, eles tinham outra renda sem ser a renda, a renda rural, a a renda da da fazenda, das fazendas, ou não? Eles sobreviviam só dessa renda? TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Não, ela ela ia para como boia fria e ele trabalhava eh no grupo Atala, que era ele era empregado no grupo Atala, então ele fazia parte do departamento animais. CONCILIADOR: Entendi. E se ela não fosse trabalhar, fazia falta, ela tinha que trabalhar. Então era importante ela ir trabalhar para ajudar o marido? TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Sim, era importante porque a renda, né, para cumprimentar a renda da família, ela tinha bastante filho, tinha as meninas, tinha os meninos, né? CONCILIADOR: Entendi. E essa fazenda ficava localizada a município da onde? TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Na no município de de Purecatu. CONCILIADOR: E as fazendas que vocês iam fazer de áreas também de boia fria também era tudo nocatu. TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Regão. Isso. Na região. CONCILIADOR: Certo. Aí até quando mesmo que a senhora falou que ficou trabalhando com ela dessa forma de boia fria? TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): De 90 a 95. CONCILIADOR: Depois disso, a senhora parou de trabalhar na roça ou ela como que foi? TESTEMUNHA (GERALDA APARECIDA DE JESUS SILVA): Ah, depois disso eu mudei e ela ficou e depois eu não sei mais assim o que aconteceu daí, né? Assim, ela continuou trabalhando, mas eu fui para outra cidade e ela ficou CONCILIADOR: Entendi. Muito obrigada, dona Geralda.

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