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3019757-16.2026.8.19.0000

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  1. Intimação

    TJRJ · Secretaria da 2ª Turma do 2º Núcleo Digital em Segundo Grau - Saúde Suplementar · DECISÃO MONOCRÁTICA

    Agravo de Instrumento N&ordm; 3019757-16.2026.8.19.0000/RJ TIPO DE A&Ccedil;&Atilde;O: Fornecimento de medicamentos RELATOR(A): Des. RODRIGO FARIA DE SOUSA AGRAVANTE: AMIL ASSISTENCIA MEDICA INTERNACIONAL S.A. ADVOGADO(A): MARTA MARTINS FADEL LOBAO (OAB RJ089940) AGRAVADO: JUREMA DOS PASSOS DOS SANTOS ADVOGADO(A): FABIO MAIA CORTES (OAB RJ128742) ADVOGADO(A): RODRIGO BERNARDINO DA SILVA PIRES (OAB RJ187253) EMENTA DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PLANO DE SA&Uacute;DE. COBERTURA DE TRATAMENTO ONCOL&Oacute;GICO E MEDICAMENTO OFF LABEL. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. A&Ccedil;&Atilde;O DE OBRIGA&Ccedil;&Atilde;O DE FAZER CUMULADA COM INDENIZAT&Oacute;RIA, COM PEDIDO DE TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA, AJUIZADA POR BENEFICI&Aacute;RIA DE PLANO DE SA&Uacute;DE PARA OBTER A COBERTURA DE TRATAMENTO ONCOL&Oacute;GICO COM ATEZOLIZUMABE, EM ASSOCIA&Ccedil;&Atilde;O AO PROTOCOLO MFOLFOX6, BEM COMO DE CARBOXIMALTOSE F&Eacute;RRICA, PRESCRITOS PELO M&Eacute;DICO ASSISTENTE. 2. O JU&Iacute;ZO DE ORIGEM DEFERIU A TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA E DETERMINOU &Agrave; OPERADORA A AUTORIZA&Ccedil;&Atilde;O E COBERTURA DOS MEDICAMENTOS PRESCRITOS, NO PRAZO DE 48 HORAS, SOB PENA DE MULTA DI&Aacute;RIA DE R$ 5.000,00. 3. A OPERADORA INTERP&Ocirc;S AGRAVO DE INSTRUMENTO. ALEGOU AUS&Ecirc;NCIA DE OBRIGATORIEDADE DE COBERTURA, PORQUE O MEDICAMENTO FOI PRESCRITO PARA USO OFF LABEL, E SUSTENTOU A DESPROPORCIONALIDADE DAS ASTREINTES FIXADAS. II. QUEST&Atilde;O EM DISCUSS&Atilde;O 4. H&Aacute; DUAS QUEST&Otilde;ES EM DISCUSS&Atilde;O: (I) SABER SE A OPERADORA DE PLANO DE SA&Uacute;DE DEVE CUSTEAR MEDICAMENTO PRESCRITO PELO M&Eacute;DICO ASSISTENTE PARA TRATAMENTO ONCOL&Oacute;GICO, AINDA QUE EM USO OFF LABEL, QUANDO HAJA REGISTRO NA ANVISA; E (II) SABER SE A MULTA DI&Aacute;RIA FIXADA PARA CUMPRIMENTO DA TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA OBSERVA OS CRIT&Eacute;RIOS DE PROPORCIONALIDADE E ADEQUA&Ccedil;&Atilde;O. III. RAZ&Otilde;ES DE DECIDIR 5. EST&Atilde;O PRESENTES OS REQUISITOS DO ART. 300 DO CPC, POIS OS DOCUMENTOS QUE INSTRUEM A PETI&Ccedil;&Atilde;O INICIAL EVIDENCIAM A PROBABILIDADE DO DIREITO E O PERIGO DE DANO, DIANTE DO QUADRO ONCOL&Oacute;GICO DA PACIENTE E DA URG&Ecirc;NCIA DO TRATAMENTO PRESCRITO. 6. A NEGATIVA DE COBERTURA &Eacute; ABUSIVA, PORQUE OS MEDICAMENTOS POSSUEM REGISTRO NA ANVISA E FORAM INDICADOS POR M&Eacute;DICO HABILITADO PARA TRATAMENTO ONCOL&Oacute;GICO, CUJA COBERTURA &Eacute; OBRIGAT&Oacute;RIA. A OPERADORA N&Atilde;O PODE SUBSTITUIR O CRIT&Eacute;RIO T&Eacute;CNICO DO PROFISSIONAL ASSISTENTE NEM LIMITAR O TRATAMENTO COM FUNDAMENTO EXCLUSIVO EM USO OFF LABEL. 7. A CARBOXIMALTOSE F&Eacute;RRICA POSSUI PREVIS&Atilde;O NO ROL DA ANS. QUANTO AO TRATAMENTO ONCOL&Oacute;GICO, A JURISPRUD&Ecirc;NCIA DO STJ CONSIDERA IRRELEVANTE A DISCUSS&Atilde;O SOBRE A NATUREZA DO ROL DA ANS PARA AFASTAR A OBRIGA&Ccedil;&Atilde;O DE COBERTURA DE EXAMES, PROCEDIMENTOS E MEDICAMENTOS NECESS&Aacute;RIOS AO TRATAMENTO DE C&Acirc;NCER. 8. A MULTA COMINAT&Oacute;RIA ENCONTRA AMPARO NOS ARTS. 536 E 537 DO CPC E TEM NATUREZA COERCITIVA. O VALOR FIXADO E O PRAZO DE 48 HORAS MOSTRAM-SE ADEQUADOS E PROPORCIONAIS &Agrave; EFETIVA&Ccedil;&Atilde;O DA TUTELA, EM ATEN&Ccedil;&Atilde;O &Agrave; GRAVIDADE DO QUADRO CL&Iacute;NICO E AO BEM JUR&Iacute;DICO PROTEGIDO. IV. DISPOSITIVO E TESE 9. RECURSO DESPROVIDO PARA MANTER A DECIS&Atilde;O QUE DEFERIU A TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA E DETERMINOU A COBERTURA DO TRATAMENTO PRESCRITO. _TESE DE JULGAMENTO_: "1. &Eacute; ABUSIVA A NEGATIVA DE COBERTURA DE MEDICAMENTO PRESCRITO PARA TRATAMENTO ONCOL&Oacute;GICO QUANDO O F&Aacute;RMACO POSSUI REGISTRO NA ANVISA E H&Aacute; INDICA&Ccedil;&Atilde;O M&Eacute;DICA, AINDA QUE SE TRATE DE USO OFF LABEL. 2. NOS TRATAMENTOS ONCOL&Oacute;GICOS, A DISCUSS&Atilde;O SOBRE A NATUREZA DO ROL DA ANS N&Atilde;O AFASTA O DEVER DE COBERTURA PELA OPERADORA DO PLANO DE SA&Uacute;DE. 3. A MULTA DI&Aacute;RIA FIXADA PARA ASSEGURAR O CUMPRIMENTO DA TUTELA DE URG&Ecirc;NCIA &Eacute; V&Aacute;LIDA QUANDO SUFICIENTE, ADEQUADA E PROPORCIONAL &Agrave; OBRIGA&Ccedil;&Atilde;O IMPOSTA." _DISPOSITIVOS RELEVANTES CITADOS_: CPC, ARTS. 300, 536, &sect; 1&ordm;, E 537; LEI N&ordm; 9.656/1998, ARTS. 10, I E VI, E 35-C, I; CDC, ART. 51, IV. _JURISPRUD&Ecirc;NCIA RELEVANTE CITADA_: STJ, RESP 1.769.557/CE, REL. MIN. NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, J. 13.11.2018, DJE 21.11.2018; STJ, AGINT NO AGINT NO ARESP 3.142.997/MS, REL. MIN. MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, J. 15.06.2026; STJ, RESP 2.246.250/SP, REL. MIN. ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, J. 08.06.2026; STJ, RESP 2.162.866/SP, REL. MIN. MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, J. 08.06.2026; STJ, ARESP 3.170.294/RJ, REL. MIN. RAUL ARA&Uacute;JO, QUARTA TURMA, J. 18.05.2026; STJ, AGINT NOS EDCL NO ARESP 2.688.432/RJ, REL. MIN. RICARDO VILLAS B&Ocirc;AS CUEVA, TERCEIRA TURMA, J. 18.05.2026; STJ, AGINT NO ARESP 3.086.365/CE, REL. MIN. HUMBERTO MARTINS, TERCEIRA TURMA, J. 18.05.2026. DECIS&Atilde;O MONOCR&Aacute;TICA A hip&oacute;tese &eacute; de agravo de instrumento interposto por AMIL ASSISTENCIA M&Eacute;DICA INTERNACIONAL, em face de decis&atilde;o, proferida pelo Ju&iacute;zo da 24&ordf; Vara C&iacute;vel da Comarca da Capital, que, nos autos da a&ccedil;&atilde;o de obriga&ccedil;&atilde;o de fazer c/c indenizat&oacute;ria, deferiu a tutela de urg&ecirc;ncia, nos seguintes termos: &ldquo;JUREMA DOS PASSOS DOS SANTOS, por seu advogado, vem propor a presente A&Ccedil;&Atilde;O DE OBRIGA&Ccedil;&Atilde;O DE FAZER C/C TUTELA PROVIS&Oacute;RIA DE URG&Ecirc;NCIA ANTECIPADA em face de BRADESCO SA&Uacute;DE S/A. A parte Autora, pessoa idosa com 75 anos de idade, com antecedente de carcinoma escamoso de pulm&atilde;o est&aacute;dio patol&oacute;gico IA, submetida &agrave; lobectomia Inferior esquerda em 27/07/2023, permanecendo em acompanhamento oncol&oacute;gico regular, sem recorr&ecirc;ncia de neoplasia pulmonar at&eacute; o presente momento. O m&eacute;dico especialista assistente, fundamentado nas melhores evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas e na especificidade cl&iacute;nica da paciente, prescreveu o TRATAMENTO ADJUVANTE COM PROTOCOLO mFOLFOX6 ASSOCIADO AO MEDICAMENTO TECENTRIQ (ATEZOLIZUMABE 1200mg) (12 ciclos concomitantes e posteriormente mais 13 ciclos de manuten&ccedil;&atilde;o isolada com Atezolizumab). Adicionalmente, diante do diagn&oacute;stico de anemia sintom&aacute;tica severa em paciente oncol&oacute;gica (Hb 11,3 e Ferro s&eacute;rico 25 IST 7%), refrat&aacute;ria &agrave; reposi&ccedil;&atilde;o por via oral, prescreveu com igual urg&ecirc;ncia o tratamento de suporte com CARBOXIMALTOSE F&Eacute;RRICA 1000mg, a ser administrado em 2 aplica&ccedil;&otilde;es (uma a cada 7 dias). Submetido o protocolo m&eacute;dico &agrave; regula&ccedil;&atilde;o da operadora R&eacute;, esta emitiu parecer autorizativo parcial (Protocolo n&ordm; 326305202606155125231231), validando as sess&otilde;es de planejamento da cl&iacute;nica oncol&oacute;gica e o fornecimento dos quimioter&aacute;picos tradicionais integrantes do esquema mFOLFOX6 (Tevaoxali, Fauldfluor, Folinato de C&aacute;lcio e Onicit), conforme demonstram os prints do pr&oacute;prio sistema interno da R&eacute;. Por&eacute;m, a R&eacute; EMITIU NEGATIVA EXPRESSA de cobertura para o f&aacute;rmaco biol&oacute;gico TECENTRIQ (ATEZOLIZUMABE), sob o status de "N&atilde;o Validado", justificando tratar-se de "Indica&ccedil;&atilde;o fora das hip&oacute;teses de cobertura estabelecidas pelo Rol da ANS para o procedimento". Paralelamente, restou tamb&eacute;m sem cobertura/valida&ccedil;&atilde;o a medica&ccedil;&atilde;o hematol&oacute;gica essencial de suporte (CARBOXIMALTOSE F&Eacute;RRICA 1000mg), obstaculizando o in&iacute;cio seguro do tratamento. Sustenta que a urg&ecirc;ncia t&eacute;cnica e a necessidade de associa&ccedil;&atilde;o dos f&aacute;rmacos s&atilde;o respaldadas pelo recente Estudo ATOMIC, publicado no prestigiado peri&oacute;dico cient&iacute;fico The New England Journal of Medicine (NEJM) (Doc. anexo), o qual demonstrou que a adi&ccedil;&atilde;o do Atezolizumabe ao esquema mFOLFOX6 reduziu o risco de recorr&ecirc;ncia da doen&ccedil;a ou morte pela metade (Hazard Ratio de 0,50; $P < 0,001$), elevando a taxa de sobreviv&ecirc;ncia livre de doen&ccedil;a em 3 anos para 86,3%. O referido estudo deixa claro que o sucesso terap&ecirc;utico depende da interven&ccedil;&atilde;o combinada imediata; postergar ou fragmentar o tratamento aniquila diretamente as chances de cura de uma paciente idosa com c&acirc;ncer em est&aacute;dio IIIc. Assim, requer: 1. O medicamento imunoter&aacute;pico TECENTRIQ (ATEZOLIZUMABE 1200mg), a ser fornecido e aplicado em associa&ccedil;&atilde;o ao protocolo mFOLFOX6 (j&aacute; autorizado pela operadora) na periodicidade de 14 em 14 dias por 12 ciclos, bem como nos 13 ciclos posteriores de manuten&ccedil;&atilde;o isolada; e 2. O medicamento hematol&oacute;gico de suporte CARBOXIMALTOSE F&Eacute;RRICA 1000mg, num total de 02 (duas) aplica&ccedil;&otilde;es (uma a cada 7 dias), indispens&aacute;vel para o tratamento da anemia sintom&aacute;tica e viabiliza&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica do tratamento; no prazo m&aacute;ximo de 48 (quarenta e oito) horas, sob pena de multa di&aacute;ria no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). &Eacute; o relat&oacute;rio. Decido. O deferimento de Tutela Antecipada de Urg&ecirc;ncia, nos moldes do art. 300 e seguintes do NCPC, implica, como se sabe, no exame das condi&ccedil;&otilde;es de valora&ccedil;&atilde;o a exist&ecirc;ncia de prova pr&eacute;-constitu&iacute;da, que exige redobrado cuidado de aprecia&ccedil;&atilde;o, dada a freq&uuml;ente periclita&ccedil;&atilde;o dos direitos envolvidos. Na presente hip&oacute;tese, mais do que plaus&iacute;vel, parece - ao menos em summaria cognitio - que &eacute; not&oacute;rio o direito alegado pela parte autora, eis que h&aacute; nos autos laudo do m&eacute;dico preciso no diagn&oacute;stico apontado. Note-se que o referido laudo relata, inclusive, les&atilde;o grave, incidindo, pois, &agrave; hip&oacute;tese em comento o disposto no art. 35-C, I da Lei 9656/98, que destaco, in verbis: "Art.35-C. &Eacute; obrigat&oacute;ria a cobertura do atendimento nos casos: I - de emerg&ecirc;ncia, como tal definidos os que implicarem risco imediato de vida ou de les&otilde;es irrepar&aacute;veis para o paciente, caracterizada em declara&ccedil;&atilde;o do m&eacute;dico assistente; Desta forma, a parte autora comprovou cabalmente, atrav&eacute;s de documentos, o fumus boni iuris, consubstanciado no laudo m&eacute;dico acostado aos autos, corroborado pelos fatos descritos. Finalmente, verifico que est&aacute; presente, ainda, a ocorr&ecirc;ncia do periculum in mora, que compreende aquelas situa&ccedil;&otilde;es em que h&aacute; imin&ecirc;ncia de dano de dif&iacute;cil ou imposs&iacute;vel repara&ccedil;&atilde;o, havendo laudo m&eacute;dico informando a urg&ecirc;ncia. ISSO POSTO, DEFIRO LIMINARMENTE A TUTELA ANTECIPADA DE URG&Ecirc;NCIA NOS TERMOS DO ART. 300 e seu &sect; 2&ordm; DO NCPC, para determinar que a r&eacute; autorize e cubra o tratamento da parte autora com a utiliza&ccedil;&atilde;o do medicamento imunoter&aacute;pico TECENTRIQ (ATEZOLIZUMABE 1200mg), a ser fornecido e aplicado em associa&ccedil;&atilde;o ao protocolo mFOLFOX6 na periodicidade de 14 em 14 dias por 12 ciclos, bem como nos 13 ciclos posteriores de manuten&ccedil;&atilde;o isolada, bem como a utiliza&ccedil;&atilde;o do medicamento hematol&oacute;gico de suporte CARBOXIMALTOSE F&Eacute;RRICA 1000mg, num total de 02 (duas) aplica&ccedil;&otilde;es (uma a cada 7 dias), indispens&aacute;vel para o tratamento da anemia sintom&aacute;tica e viabiliza&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica do tratamento; no prazo m&aacute;ximo de 48 (quarenta e oito) horas, sob pena de multa di&aacute;ria no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). SEM PREJU&Iacute;ZO: Eventual audi&ecirc;ncia de concilia&ccedil;&atilde;o ser&aacute; designada mais adiante, se for o caso, dados os contornos da a&ccedil;&atilde;o. Sem preju&iacute;zo, cite-se e intime-se o r&eacute;u para apresentar contesta&ccedil;&atilde;o no prazo de 15 dias &uacute;teis. Cite-se e Intime-se a parte r&eacute; POR OJA de plant&atilde;o.&rdquo; Pretende a parte r&eacute;/agravante a antecipa&ccedil;&atilde;o de tutela recursal, e, no m&eacute;rito, a reforma da decis&atilde;o, sob a alega&ccedil;&atilde;o de aus&ecirc;ncia de obrigatoriedade da cobertura do fornecimento do medicamento solicitado, tendo em vista que se destina a fim diverso para o qual foi prescrito (off-label). Al&eacute;m disso, defende a desproporcionalidade das astreintes fixadas. A parte autora/agravada defende, em contrarraz&otilde;es, a manuten&ccedil;&atilde;o da decis&atilde;o impugnada, tendo em vista o preenchimento dos requisitos necess&aacute;rios ao deferimento da tutela de urg&ecirc;ncia, sendo abusiva a negativa apresentada pela parte operadora. Minist&eacute;rio P&uacute;blico informou n&atilde;o ter interesse no feito. &Eacute; o relat&oacute;rio. O agravo &eacute; tempestivo e seguiu regularidade formal. H&aacute; legitimidade e interesse recursal. Presentes os requisitos de admissibilidade, raz&atilde;o pela qual o recurso deve ser conhecido. A hip&oacute;tese &eacute; de a&ccedil;&atilde;o de obriga&ccedil;&atilde;o de fazer c/c indenizat&oacute;ria em que a parte autora/agravada, consoante laudo m&eacute;dico, foi diagnosticada com adenocarcinoma de c&oacute;lon est&aacute;dio IIIC e que, diante da piora do seu quadro cl&iacute;nico, h&aacute; necessidade de fornecimento dos medicamentos Atezolizumabe (Tecentriq&reg;), em associa&ccedil;&atilde;o ao protocolo mFOLFOX6, bem como da Carboximaltose F&eacute;rrica 1.000 mg. Todavia, houve a negativa da cobertura pela operadora do plano de sa&uacute;de, sob a justificativa de que o rem&eacute;dio prescrito n&atilde;o apresenta indica&ccedil;&atilde;o para o diagn&oacute;stico apresentado (off-label). Cinge-se, assim, a controv&eacute;rsia a avaliar a obrigatoriedade da cobertura do fornecimento dos medicamentos prescritos pelo m&eacute;dico assistente, embora apresente uma aplica&ccedil;&atilde;o distinta do diagn&oacute;stico da paciente. A partir da an&aacute;lise sum&aacute;ria dos fatos, n&atilde;o assiste raz&atilde;o &agrave; parte r&eacute;/agravante. A avalia&ccedil;&atilde;o dos requisitos cumulativos autorizadores da medida pleiteada se submete ao prudente ju&iacute;zo do magistrado condutor do processo. Nos termos do art. 300 do C&oacute;digo de Processo Civil, a tutela de urg&ecirc;ncia ser&aacute; concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado &uacute;til do processo. No caso dos autos, n&atilde;o vislumbro a exist&ecirc;ncia de probabilidade do direito em favor da parte r&eacute;/agravante, pois restou demonstrada atrav&eacute;s dos documentos anexados aos autos de origem, especialmente o laudo m&eacute;dico que instrui a inicial (evento 1, DOC11 e evento 1, DOC12), o quadro de sa&uacute;de da parte autora/agravada e a necessidade dos medicamentos prescritos, sob pena de piora do quadro cl&iacute;nico. Contudo, tal recusa se mostra abusiva, tendo em vista que os medicamentos prescritos t&ecirc;m registro na Anvisa e sua infus&atilde;o se destina a tratamento oncol&oacute;gico, o qual possui cobertura obrigat&oacute;ria, conforme ressalva prevista no art. 10, VI, da Lei 9.656/98. Ressalte-se ainda que a Carboximaltose F&eacute;rrica se encontra prevista expressamente no rol da ANS. Destaca-se que, em tais circunst&acirc;ncias, o Superior Tribunal de Justi&ccedil;a firmou o entendimento quanto a possibilidade de impor ao plano de sa&uacute;de o dever de custear o medicamento registrado na Anvisa, necess&aacute;rio ao tratamento do quadro de sa&uacute;de da paciente, ainda que n&atilde;o haja indica&ccedil;&atilde;o na bula para a enfermidade que a acomete (medicamente de uso off label): RECURSO ESPECIAL. A&Ccedil;&Atilde;O DE OBRIGA&Ccedil;&Atilde;O DE FAZER. PLANOS DE SA&Uacute;DE. NEGATIVA DE PRESTA&Ccedil;&Atilde;O JURISDICIONAL. AFASTADA. NEGATIVA DE FORNECIMENTO DE MEDICA&Ccedil;&Atilde;O SOB O FUNDAMENTO DE SE TRATAR DE TRATAMENTO EXPERIMENTAL. ILEGALIDADE DA RESOLU&Ccedil;&Atilde;O NORMATIVA DA ANS. USO FORA DA BULA (OFF LABEL). INGER&Ecirc;NCIA DA OPERADORA NA ATIVIDADE M&Eacute;DICA. IMPOSSIBILIDADE. ROL DE PROCEDIMENTOS ANS. EXEMPLIFICATIVO. MAJORA&Ccedil;&Atilde;O DE HONOR&Aacute;RIOS ADVOCAT&Iacute;CIOS RECURSAIS. 1. A&ccedil;&atilde;o ajuizada em 06/08/14. Recurso especial interposto em 09/05/18 e concluso ao gabinete em 1&ordm;/10/18. 2. A&ccedil;&atilde;o de obriga&ccedil;&atilde;o de fazer, ajuizada devido &agrave; negativa de fornecimento da medica&ccedil;&atilde;o Rituximabe - MabThera para tratar idosa com anemia hemol&iacute;tica autoimune, na qual se requer seja compelida a operadora de plano de sa&uacute;de a fornecer o tratamento conforme prescri&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica. 3. O prop&oacute;sito recursal consiste em definir se a operadora de plano de sa&uacute;de est&aacute; autorizada a negar tratamento prescrito por m&eacute;dico, sob o fundamento de que sua utiliza&ccedil;&atilde;o em favor do paciente est&aacute; fora das indica&ccedil;&otilde;es descritas na bula/manual registrado na ANVISA (uso off-label), ou porque n&atilde;o previsto no rol de procedimentos da ANS. 4. Ausentes os v&iacute;cios do art. 1.022, do CPC/15, rejeitam-se os embargos de declara&ccedil;&atilde;o. 5. A Lei 9.656/98 (Lei dos Planos de Sa&uacute;de) estabelece que as operadoras de plano de sa&uacute;de est&atilde;o autorizadas a negar tratamento cl&iacute;nico ou cir&uacute;rgico experimental (art. 10, I). 6. A Ag&ecirc;ncia Nacional de Sa&uacute;de Suplementar (ANS) editou a Resolu&ccedil;&atilde;o Normativa 338/2013, vigente ao tempo da demanda, disciplinando que consiste em tratamento experimental aquele que n&atilde;o possui as indica&ccedil;&otilde;es descritas na bula/manual registrado na ANVISA (uso off-label). 7. Quem decide se a situa&ccedil;&atilde;o concreta de enfermidade do paciente est&aacute; adequada ao tratamento conforme as indica&ccedil;&otilde;es da bula/manual da ANVISA daquele espec&iacute;fico rem&eacute;dio &eacute; o profissional m&eacute;dico. Autorizar que a operadora negue a cobertura de tratamento sob a justificativa de que a doen&ccedil;a do paciente n&atilde;o est&aacute; contida nas indica&ccedil;&otilde;es da bula representa ineg&aacute;vel inger&ecirc;ncia na ci&ecirc;ncia m&eacute;dica, em odioso e inaceit&aacute;vel preju&iacute;zo do paciente enfermo. 8. O car&aacute;ter experimental a que faz refer&ecirc;ncia o art. 10, I, da Lei 9.656 diz respeito ao tratamento cl&iacute;nico ou cir&uacute;rgico incompat&iacute;vel com as normas de controle sanit&aacute;rio ou, ainda, aquele n&atilde;o reconhecido como eficaz pela comunidade cient&iacute;fica. 9. A inger&ecirc;ncia da operadora, al&eacute;m de n&atilde;o ter fundamento na Lei 9.656/98, consiste em a&ccedil;&atilde;o in&iacute;qua e abusiva na rela&ccedil;&atilde;o contratual, e coloca concretamente o consumidor em desvantagem exagerada (art. 51, IV, do CDC). 10. O fato de o procedimento n&atilde;o constar do rol da ANS n&atilde;o afasta o dever de cobertura do plano de sa&uacute;de, haja vista se tratar de rol meramente exemplificativo. Precedentes. 11. A recorrida, aos 78 anos de idade, foi diagnosticada com anemia hemol&iacute;tica autoimune, em 1 m&ecirc;s teve queda de hemoglobina de 2 pontos, apresentou importante intoler&acirc;ncia &agrave; corticoterapia e sensibilidade gastrointestinal a tornar recomend&aacute;vel superar os tratamentos infrut&iacute;feros por meio da utiliza&ccedil;&atilde;o do medicamento Rituximabe - MabThera, conforme devidamente registrado por m&eacute;dico assistente. Configurada a abusividade da negativa de cobertura do tratamento. 12. Recurso especial conhecido e n&atilde;o provido, com majora&ccedil;&atilde;o dos honor&aacute;rios advocat&iacute;cios recursais. (REsp 1769557/CE, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 13/11/2018, DJe 21/11/2018) A corte entende ser abusiva a recusa do plano em tal situa&ccedil;&atilde;o, pois havendo o registro do medicamento na ag&ecirc;ncia reguladora e sendo o tratamento indicado por m&eacute;dico habilitado, a cobertura dever&aacute; ser autorizada, sendo do profissional que a prescreveu a responsabilidade pelos riscos decorrentes. Ademais, o quadro de sa&uacute;de indicado evidencia tamb&eacute;m o perigo de dano, uma vez que h&aacute; urg&ecirc;ncia no uso do medicamento solicitado diante do risco de agravamento e irreversibilidade do estado cl&iacute;nico. Logo, havendo cobertura da doen&ccedil;a, como ocorre no caso em que restou comprovado o quadro de sa&uacute;de da parte autora e urg&ecirc;ncia do seu tratamento, mediante o emprego do medicamento especificado, n&atilde;o pode a operadora restringir os meios necess&aacute;rios indicado pelo profissional habilitado. A jurisprud&ecirc;ncia reiterada do egr&eacute;gio Superior Tribunal de Justi&ccedil;a vem, mesmo ap&oacute;s a ADI 7.265 do STF, consagrando o entendimento no sentido de que, tratando-se de tratamento oncol&oacute;gico, &eacute; irrelevante a natureza do rol da ANS, sendo obrigat&oacute;ria a cobertura pelos planos de sa&uacute;de. Ressalte-se que, em pesquisa jurisprudencial, o Tribunal da Cidadania em seus recentes Ac&oacute;rd&atilde;os assevera que tal entendimento restaria consolidado, da&iacute; emergindo a probabilidade do direito do Agravado, conforme abaixo se demonstra: AGRAVO INTERNO. PROCESSUAL CIVIL. NEGATIVA DE PRESTA&Ccedil;&Atilde;O JURISDICIONAL. N&Atilde;O OCORR&Ecirc;NCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. N&Atilde;O OCORR&Ecirc;NCIA. S&Uacute;MULAS 83/STJ E 7/STJ. AGRAVO INTERNO N&Atilde;O PROVIDO. 1. O ac&oacute;rd&atilde;o recorrido analisa todas as quest&otilde;es necess&aacute;rias ao deslinde da controv&eacute;rsia, e n&atilde;o se configura negativa de presta&ccedil;&atilde;o jurisdicional. 2. O magistrado &eacute; o destinat&aacute;rio final das provas, cabendo-lhe analisar a necessidade de sua produ&ccedil;&atilde;o, cujo indeferimento fundamentado n&atilde;o configura cerceamento de defesa. 3. Mant&eacute;m-se a aplica&ccedil;&atilde;o da S&uacute;mula 83/STJ, pois o ac&oacute;rd&atilde;o recorrido est&aacute; alinhado &agrave; orienta&ccedil;&atilde;o do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a quanto ao dever de cobertura de medicamento prescrito para tratamento de c&acirc;ncer, e &eacute; irrelevante, nessa hip&oacute;tese, a natureza do rol da ANS. 4. N&atilde;o cabe, em recurso especial, reexaminar mat&eacute;ria f&aacute;tico-probat&oacute;ria (S&uacute;mula 7/STJ). 5. Agravo interno a que se nega provimento.AgInt no AgInt no AREsp 3142997 / MS AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2026/0003037-7. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI. QUARTA TURMA. 15/06/2026. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SA&Uacute;DE. C&Acirc;NCER. TRATAMENTO. COBERTURA. NATUREZA DO ROL DA ANS. IRRELEV&Acirc;NCIA. PET-CT. CUSTEIO. POSSIBILIDADE. DANOS MORAIS. EXCLUS&Atilde;O. AUS&Ecirc;NCIA DE INDICA&Ccedil;&Atilde;O DOS DISPOSITIVOS VIOLADOS. S&Uacute;MULA N. 284/STF. DANOS MORAIS. VALOR. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. S&Uacute;MULA N. 7/STJ. DESPESAS M&Eacute;DICAS. REEMBOLSO. AFASTAMENTO. INEXIST&Ecirc;NCIA DE ALCANCE NORMATIVO DA LEGISLA&Ccedil;&Atilde;O INDICADA. S&Uacute;MULA N. 284/STF. RECURSO ESPECIAL N&Atilde;O CONHECIDO. I. Raz&otilde;es de decidir 1. Para a jurisprud&ecirc;ncia do STJ, no caso de tratamento oncol&oacute;gico, h&aacute; apenas uma diretriz na resolu&ccedil;&atilde;o normativa da Ag&ecirc;ncia Nacional de Sa&uacute;de Suplementar - ANS para o custeio de medicamentos, motivo pelo qual &eacute; irrelevante a discuss&atilde;o da natureza taxativa ou exemplificativa do rol de procedimentos da ag&ecirc;ncia reguladora. 2. Os planos de sa&uacute;de possuem o dever de cobertura de procedimentos e exames integrantes do tratamento oncol&oacute;gico. Precedentes. 3. O Tribunal de origem determinou o custeio, pelo plano de sa&uacute;de, do exame integrante do tratamento de c&acirc;ncer da parte agravada (PET-CT), conforme a prescri&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica, o que n&atilde;o destoa do entendimento desta Corte Superior. 4. A falta de indica&ccedil;&atilde;o dos dispositivos legais supostamente violados impede o conhecimento do recurso especial (S&uacute;mula n. 284/STF). 5. Somente em hip&oacute;teses excepcionais, quando irris&oacute;rio ou exorbitante o valor da indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais arbitrado na origem, a jurisprud&ecirc;ncia desta Corte permite o afastamento do referido &oacute;bice para possibilitar a revis&atilde;o. No caso, o valor estabelecido pelo Tribunal a quo n&atilde;o se mostra excessivo, a justificar sua reavalia&ccedil;&atilde;o em recurso especial. 6. Considera-se deficiente, a teor da S&uacute;mula n. 284/STF, a fundamenta&ccedil;&atilde;o recursal que alega viola&ccedil;&atilde;o de dispositivos legais cujo conte&uacute;do jur&iacute;dico n&atilde;o tem alcance normativo para amparar a tese defendida no recurso especial. II. Dispositivo 7. Recurso especial n&atilde;o conhecido.REsp 2246250 / SP RECURSO ESPECIAL 2025/0460293-6. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA.QUARTA TURMA. 08/06/2026. PROCESSUAL CIVIL E CONSUMIDOR. RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SA&Uacute;DE. TRATAMENTO ONCOL&Oacute;GICO (LORLATINIBE). ROL DA ANS. IRRELEV&Acirc;NCIA PARA COBERTURA DE TRATAMENTO DE C&Acirc;NCER. NEGATIVA DE COBERTURA. ABUSIVIDADE. VIOLA&Ccedil;&Atilde;O DO ART. 1.022, II DO CPC. N&Atilde;O OCORR&Ecirc;NCIA. VALOR DA CAUSA. ART. 292, &sect; 2&ordm;, DO CPC. HONOR&Aacute;RIOS. ART. 85, &sect;&sect; 2&ordm; E 11, DO CPC. CONSON&Acirc;NCIA COM O ENTENDIMENTO DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Recurso especial interposto por operadora de plano de sa&uacute;de contra ac&oacute;rd&atilde;o que confirmou senten&ccedil;a de proced&ecirc;ncia em a&ccedil;&atilde;o de obriga&ccedil;&atilde;o de fazer para fornecimento de medicamento antineopl&aacute;sico (Lorlatinibe), prescrito para tratamento de c&acirc;ncer de pulm&atilde;o, mantendo o valor da causa e os honor&aacute;rios calculados sobre tal base. 2. O objetivo recursal &eacute; decidir se (i) h&aacute; negativa de presta&ccedil;&atilde;o jurisdicional (art. 1.022 do CPC); (ii) &eacute; devida a cobertura do medicamento antineopl&aacute;sico prescrito, independentemente de diretrizes do rol da ANS; (iii) o valor da causa deve observar o art. 292, &sect; 2&ordm;, do CPC; e (iv) os honor&aacute;rios sucumbenciais podem ser fixados por equidade ou devem seguir os percentuais do art. 85, &sect; 2&ordm;, do CPC, com majora&ccedil;&atilde;o do &sect; 11. 3. N&atilde;o h&aacute; ofensa do art. 1.022, II, do CPC, quando o ac&oacute;rd&atilde;o enfrenta, de modo suficiente, as quest&otilde;es essenciais ao julgamento, ainda que n&atilde;o analise um a um todos os argumentos da parte. 4. Em tratamento oncol&oacute;gico, a recusa de fornecimento de medicamento antineopl&aacute;sico prescrito como imprescind&iacute;vel &eacute; abusiva, sendo irrelevante a discuss&atilde;o sobre a natureza do rol da ANS para negar a cobertura. 5. Em obriga&ccedil;&atilde;o de fazer de trato sucessivo envolvendo fornecimento cont&iacute;nuo de medicamento, o valor da causa corresponde &agrave; soma de 12 parcelas mensais (art. 292, &sect; 2&ordm;, do CPC). 6. Os honor&aacute;rios sucumbenciais devem observar os percentuais do art. 85, &sect; 2&ordm;, do CPC, tendo como base o valor da causa, sendo excepcional a fixa&ccedil;&atilde;o por equidade. 7. Recurso especial desprovido.REsp 2162866 / SP RECURSO ESPECIAL 2024/0296658-2.Ministro MOURA RIBEIRO. TERCEIRA TURMA.08/06/2026. PROCESSUAL CIVIL E CONSUMIDOR. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SA&Uacute;DE. LEUCEMIA MIELOIDE CR&Ocirc;NICA (LMC). NEGATIVA DE COBERTURA. MEDICAMENTO ANTINEOPL&Aacute;SICO DE USO DOMICILIAR (PONATINIB). ROL DA ANS. IRRELEV&Acirc;NCIA EM TRATAMENTOS ONCOL&Oacute;GICOS. DEVER DE CUSTEIO RECONHECIDO. S&Uacute;MULA 83 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. 1. Inexiste ofensa ao art. 489, &sect; 1&ordm;, IV, do CPC/2015 quando o Tribunal de origem decide a controv&eacute;rsia de forma fundamentada e completa, enfrentando os pontos essenciais ao deslinde da causa. O magistrado n&atilde;o est&aacute; obrigado a adotar a tese da parte insurgente, bastando que a fundamenta&ccedil;&atilde;o seja l&oacute;gica e suficiente. 2. Segundo a jurisprud&ecirc;ncia consolidada do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a, a taxatividade do rol da ANS &eacute; irrelevante para a an&aacute;lise do dever de cobertura de exames, medicamentos ou procedimentos destinados ao tratamento de c&acirc;ncer, uma vez que, para terapias oncol&oacute;gicas, existem apenas diretrizes gerais na resolu&ccedil;&atilde;o normativa. 3. Nos termos da Lei 9.656/98 (arts. 10 e 12), &eacute; obrigat&oacute;ria a cobertura de tratamentos antineopl&aacute;sicos domiciliares de uso oral, desde que registrados na ANVISA e prescritos pelo m&eacute;dico assistente, sendo abusiva a negativa fundada na aus&ecirc;ncia de previs&atilde;o espec&iacute;fica no rol da ag&ecirc;ncia reguladora. 4. No presente caso, o ac&oacute;rd&atilde;o recorrido destacou que a recorrida &eacute; portadora de leucemia mieloide cr&ocirc;nica - fase cr&ocirc;nica, relatando o m&eacute;dico assistente que a paciente "necessita fazer manuten&ccedil;&atilde;o com ponatinib visto que n&atilde;o apresentou resposta pr&eacute; TMO aos outros inibidores de tirosina quinase. Alguns pacientes com LMC persistem com presen&ccedil;a de bcr-abl sem apresentar repercuss&atilde;o cl&iacute;nica". 5. Estando o ac&oacute;rd&atilde;o recorrido em estrita conson&acirc;ncia com a orienta&ccedil;&atilde;o jurisprudencial desta Corte Superior, incide o &oacute;bice da S&uacute;mula 83/STJ, o que tamb&eacute;m inviabiliza o recurso pela al&iacute;nea "c" do permissivo constitucional. 6. Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial.AREsp 3170294 / RJ AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2026/0038342-9. Ministro RAUL ARA&Uacute;JO. QUARTA TURMA.18/05/2026. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARA&Ccedil;&Atilde;O NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OMISS&Atilde;O NO AC&Oacute;RD&Atilde;O RECORRIDO. INEXIST&Ecirc;NCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NECESSIDADE DE PRODU&Ccedil;&Atilde;O DE PROVAS. S&Uacute;MULA N&ordm; 7/STJ. TRATAMENTO M&Eacute;DICO. RECUSA INDEVIDA PELA OPERADORA. DANOS MORAIS. ROL DA ANS. TAXATIVIDADE. IRRELEV&Acirc;NCIA. HONOR&Aacute;RIOS ADVOCAT&Iacute;CIOS. SUCUMB&Ecirc;NCIA DE CADA PARTE. REEXAME DE PROVAS. S&Uacute;MULA N&ordm; 7/STJ. 1. N&atilde;o h&aacute; falar em negativa de presta&ccedil;&atilde;o jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decis&atilde;o, solucionando a controv&eacute;rsia com a aplica&ccedil;&atilde;o do direito que entende cab&iacute;vel &agrave; hip&oacute;tese, apenas em sentido inverso aos interesses da parte. 2. Chegar a uma conclus&atilde;o diversa da encontrada pelo ac&oacute;rd&atilde;o recorrido, quanto &agrave; desnecessidade de produ&ccedil;&atilde;o de provas, encontra &oacute;bice na S&uacute;mula n&ordm; 7/STJ. 3. A jurisprud&ecirc;ncia do Superior Tribunal de Justi&ccedil;a &eacute; firme no sentido de que a recusa indevida, pela operadora de plano de sa&uacute;de, de autorizar a cobertura financeira de tratamento m&eacute;dico a que esteja legal ou contratualmente obrigada, enseja danos morais na hip&oacute;tese de agravamento da condi&ccedil;&atilde;o de dor, abalo psicol&oacute;gico e demais preju&iacute;zos &agrave; sa&uacute;de j&aacute; fragilizada do paciente. 4. Esta Corte Superior possui entendimento no sentido de que &eacute; obrigat&oacute;rio o custeio de exames e procedimentos para o tratamento de c&acirc;ncer pelos planos de sa&uacute;de, como &eacute; o caso dos autos, em que o recorrido foi diagnosticado com adenocarcinoma de pulm&atilde;o na jun&ccedil;&atilde;o retossigmoide, sendo irrelevante a discuss&atilde;o a respeito da natureza taxativa ou exemplificativa do Rol da ANS. 5. &Eacute; invi&aacute;vel, em recurso especial, a revis&atilde;o do grau de sucumb&ecirc;ncia em que autor e r&eacute;u sa&iacute;ram vencedores ou vencidos na demanda, porquanto implicaria an&aacute;lise do conte&uacute;do f&aacute;tico-probat&oacute;rio dos autos, a atrair a incid&ecirc;ncia da S&uacute;mula n&ordm; 7/STJ. 6. Agravo interno n&atilde;o provido.AgInt nos EDcl no AREsp 2688432 / RJ AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARA&Ccedil;&Atilde;O NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2024/0249297-1. Ministro RICARDO VILLAS B&Ocirc;AS CUEVA. TERCEIRA TURMA.18/05/2026. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SA&Uacute;DE. TRATAMENTO ONCOL&Oacute;GICO (RADIOTERAPIA ADJUVANTE PARA TUMOR CEREBRAL). DEVER DE COBERTURA. ALINHAMENTO DO AC&Oacute;RD&Atilde;O RECORRIDO &Agrave; JURISPRUD&Ecirc;NCIA DO STJ. S&Uacute;MULA N. 83/STJ. DISS&Iacute;DIO N&Atilde;O DEMONSTRADO. S&Uacute;MULA N. 284/STF. 1. O STJ firmou entendimento no sentido de que &eacute; obrigat&oacute;rio o custeio, pelo plano de sa&uacute;de, de exames, medicamentos e procedimentos para o tratamento de c&acirc;ncer, sendo irrelevante a natureza taxativa ou exemplificativa do rol da ANS. Incid&ecirc;ncia da S&uacute;mula n. 83/STJ. 2. A aus&ecirc;ncia de indica&ccedil;&atilde;o clara e individualizada dos dispositivos legais tidos por violados e a falta de cotejo anal&iacute;tico para comprova&ccedil;&atilde;o do diss&iacute;dio jurisprudencial inviabilizam o conhecimento do recurso, conforme jurisprud&ecirc;ncia consolidada do STJ e S&uacute;mula n. 284/STF. Agravo interno improvido. AgInt no AREsp 3086365 / CE AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2025/0355128-5. Ministro HUMBERTO MARTINS.TERCEIRA TURMA. 18/05/2026. Note-se que todos os Ac&oacute;rd&atilde;os acima expostos foram proferidos nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s meses, pela 3&ordf; e 4&ordf; Turmas do egr&eacute;gio Superior Tribunal de Justi&ccedil;a, em processos de diferentes relatores. Por outro lado, a parte r&eacute;/agravante, em ju&iacute;zo de cogni&ccedil;&atilde;o sum&aacute;ria, n&atilde;o apresentou quais elementos que pudessem evidenciar a incorre&ccedil;&atilde;o da decis&atilde;o recorrida quanto ao deferimento da tutela de urg&ecirc;ncia. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s astreintes fixadas, a imposi&ccedil;&atilde;o da multa est&aacute; estabelecida no artigo 536, &sect; 1&ordm;, do CPC, que assim disp&otilde;e: Art. 536. No cumprimento de senten&ccedil;a que reconhe&ccedil;a a exigibilidade de obriga&ccedil;&atilde;o de fazer ou de n&atilde;o fazer, o juiz poder&aacute;, de of&iacute;cio ou a requerimento, para a efetiva&ccedil;&atilde;o da tutela espec&iacute;fica ou a obten&ccedil;&atilde;o de tutela pelo resultado pr&aacute;tico equivalente, determinar as medidas necess&aacute;rias &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o do exequente. &sect; 1&ordm; Para atender ao disposto no caput, o juiz poder&aacute; determinar, entre outras medidas, a imposi&ccedil;&atilde;o de multa, a busca e apreens&atilde;o, a remo&ccedil;&atilde;o de pessoas e coisas, o desfazimento de obras e o impedimento de atividade nociva, podendo, caso necess&aacute;rio, requisitar o aux&iacute;lio de for&ccedil;a policial. O texto legal &eacute; claro, a multa estabelecida no art. 536 se destina a coagir o obrigado a cumprir determinada decis&atilde;o judicial e, por essa raz&atilde;o, n&atilde;o se confunde com a multa indenizat&oacute;ria, j&aacute; que n&atilde;o se destina a recompor preju&iacute;zo causado ao lesado. Consequ&ecirc;ncia l&oacute;gica &eacute; que as multas processuais se projetam para frente, isto &eacute;, n&atilde;o substituem o adimplemento, mas ao rev&eacute;s, se projetam para pressionar o cumprir, garantir a efetividade. Apenas a t&iacute;tulo de coment&aacute;rio, destaco que a lei cria a possibilidade de o juiz determinar as medidas necess&aacute;rias &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o do exequente inclusive na antecipa&ccedil;&atilde;o de tutela e na senten&ccedil;a, mas, ao meu ver, tais medidas devem ser impostas quando houver o inadimplemento, ocasi&atilde;o em que o magistrado, avaliando as circunstancias do descumprimento, que pode ser parcial, poder&aacute; fixar multa ou qualquer outra medida que seja suficiente e compat&iacute;vel com a obriga&ccedil;&atilde;o e que determine prazo suficiente para cumprimento. Tais diretrizes devem ser suficientes e compat&iacute;veis com a obriga&ccedil;&atilde;o e possuir prazo razo&aacute;vel para cumprimento do preceito, em observ&acirc;ncia aos par&acirc;metros da proporcionalidade, razoabilidade e adequa&ccedil;&atilde;o. Ressalte-se que a preocupa&ccedil;&atilde;o do legislador com tais crit&eacute;rios &eacute; t&atilde;o evidente que concedeu ao magistrado n&atilde;o s&oacute; a prerrogativa de impor a multa, mas tamb&eacute;m de alter&aacute;-la, inclusive sem requerimento da parte, quando se tornar insuficiente ou excessiva. &Eacute; o que disp&otilde;e o artigo 537 do CPC: Art. 537. A multa independe de requerimento da parte e poder&aacute; ser aplicada na fase de conhecimento, em tutela provis&oacute;ria ou na senten&ccedil;a, ou na fase de execu&ccedil;&atilde;o, desde que seja suficiente e compat&iacute;vel com a obriga&ccedil;&atilde;o e que se determine prazo razo&aacute;vel para cumprimento do preceito. &sect;1&ordm; O juiz poder&aacute;, de of&iacute;cio ou a requerimento, modificar o valor ou a periodicidade da multa vincenda ou exclu&iacute;-la, caso verifique que: I - se tornou insuficiente ou excessiva; II - o obrigado demonstrou cumprimento parcial superveniente da obriga&ccedil;&atilde;o ou justa causa para o descumprimento. &sect;2&ordm; O valor da multa ser&aacute; devido ao exequente. &Eacute; justamente a necessidade de adequa&ccedil;&atilde;o, estabelecida no supracitado artigo, que nos leva a concluir sobre a preocupa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; com natureza coercitiva da multa, mas, tamb&eacute;m, evitar enriquecimento da parte beneficiada com a sua imposi&ccedil;&atilde;o. Desta forma, a multa cominat&oacute;ria deve ser suficiente, adequada e proporcional &agrave; finalidade intimat&oacute;ria; permitir que seja fixada em raz&atilde;o de condi&ccedil;&atilde;o especial do obrigado ou desproporcional a ponto de causar ao exequente enriquecimento sem causa, &eacute; desvirtuar o instituto processual. A multa di&aacute;ria foi arbitrada em R$ 5.000,00, para o caso de descumprimento da determina&ccedil;&atilde;o. Considerando o bem jur&iacute;dico tutelado, o direito &agrave; sa&uacute;de e &agrave; vida da agravada, direitos esses constitucionalmente assegurados, bem como a complexidade e custos do procedimento requerido, a multa fixada para o caso de descumprimento da decis&atilde;o se mostra razo&aacute;vel e em conson&acirc;ncia com a jurisprud&ecirc;ncia desta Corte para casos an&aacute;logos. Outrossim, foi concedido &agrave; parte r&eacute;/agravante prazo razo&aacute;vel de 48 horas para cumprimento da obriga&ccedil;&atilde;o. Por tais fundamentos, NEGO PROVIMENTO ao recurso de agravo de instrumento. Intimem-se as partes e a Procuradoria de Justi&ccedil;a.

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