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TJRN · 1ª Vara da Comarca de Extremoz
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE 1ª Vara da Comarca de Extremoz Rua Almirante Ernesto de Melo Júnior, 135, Conj. Estrela do Mar, EXTREMOZ/RN, CEP: 59575-000 – fone: 3673-9462 – e-mail: extremoz@tjrn.jus.br Processo nº: 0803988-90.2026.8.20.5162 Autor: FRANCISCO CANINDE DA SILVA SOUZA Réu: CAMELO E COSTA PARTICIPACOES IMOBILIARIAS LTDA e outros DESPACHO Trata-se de Ação de Obrigação de Fazer c/c Indenização por Danos Materiais e Morais, Pedido de Tutela de Urgência e Exibição de Documentos ajuizada por FRANCISCO CANINDE DA SILVA SOUZA em face de CAMELO E COSTA PARTICIPACOES IMOBILIARIAS LTDA e outros, em que há o requerimento de gratuidade judiciária mediante mera declaração de seu estado de pobreza. É o breve relatório. Decido. O Novo Código de Processo Civil dispõe sobre o requerimento de gratuidade judiciária afirmando que caberá ao Juízo indeferir o pedido caso haja elementos que evidencie a falta de pressupostos legais para sua concessão. Vejamos o que diz o art. 99, §2º do NCPC: Art. 99. O pedido de gratuidade da justiça pode ser formulado na petição inicial, na contestação, na petição para ingresso de terceiro no processo ou em recurso. § 1o Se superveniente à primeira manifestação da parte na instância, o pedido poderá ser formulado por petição simples, nos autos do próprio processo, e não suspenderá seu curso. § 2o O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver nos autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade, devendo, antes de indeferir o pedido, determinar à parte a comprovação do preenchimento dos referidos pressupostos. Antes mesmo da vigência do NCPC, o Superior Tribunal de Justiça já vinha, reiteradamente, decidido que cabe ao Juiz da causa decidir, fundamentadamente, acerca da concessão ou não da gratuidade judiciária, já que a declaração de pobreza se constitui em presunção juris tantum, que pode ser elidida por outras provas. É este o entendimento esposado pelo julgado a seguir: "MANDADO DE SEGURANÇA. BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Esta Corte, em mais de uma oportunidade, já se manifestou no sentido de caber ao juiz avaliar a pertinência das alegações da parte, podendo deferir ou não o pedido de assistência judiciária gratuita, uma vez que a declaração de pobreza implica simples presunção juris tantum, suscetível de ser elidida mediante prova em contrário, como na hipótese vertente. Recurso a que se nega provimento." (RMS 20590 / SP ; RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA 2005/0143085-0. Relator(a) MIN. CASTRO FILHO (1119). STJ. 3ª Turma. Data do Julgamento: 16/02/2006. Data da Publicação/Fonte DJ 08.05.2006 p. 191) APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS - INÉRCIA DA PARTE AUTORA - NÃO CONFIGURAÇÃO - EXTINÇÃO DO PROCESSO - IMPOSSIBILIDADE - ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA - CONCESSÃO AOS QUE REALMENTE NECESSITAM - COMPROVAÇÃO DA MISERABILIDADE - NECESSIDADE - MERA DECLARAÇÃO DE POBREZA - PROVA INSUFICIENTE. Tendo a autora realizado as providências necessárias para o regular prosseguimento do feito, tão logo tomou conhecimento para tal, incabível a extinção do processo por inércia. A teor do art. 5º, LXXIV, da CF/88, a assistência judiciária gratuita apenas deve ser concedida àqueles comprovadamente necessitados, não bastando para tal comprovação a simples declaração de pobreza firmada pela parte interessada. Não tendo a parte autora apresentado provas capazes de comprovar a miserabilidade jurídica alegada, impõe-se a conclusão de que possui totais condições de suportar os ônus relativos ao processo. (TJ-MG - AC: 10005110014072001 MG , Relator: Arnaldo Maciel, Data de Julgamento: 18/03/2014, Câmaras Cíveis / 18ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 21/03/2014) Na hipótese dos autos, não obstante a parte autora declarar-se pobre na forma da lei, nota-se que a requerente acostou aos autos documentos insuficientes para comprovar seu alegado estado de pobreza. Para que não pairem dúvidas e nos termos do art. 99, §2º do NCPC e com fulcro no princípio da cooperação, intime-se a parte autora, por seu advogado, para que, no prazo de 15 (quinze) dias, junte aos autos documentos probatórios acerca do seu alegado estado de pobreza, sob pena de indeferimento do pedido de justiça gratuita. Assim, intime-se a parte autora para, no prazo de 15 (quinze) dias, emendar a petição inicial, a fim de especificar, de forma clara e individualizada, os pedidos que pretende ver apreciados, sob pena de indeferimento da inicial, nos termos do art. 321, parágrafo único, do CPC. Cumprida as determinações acima, voltem-me os autos conclusos com urgência. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. Cumpra-se. EXTREMOZ/RN, data do sistema. EDERSON SOLANO BATISTA DE MORAIS Juiz(a) de Direito (documento assinado digitalmente na forma da Lei n°11.419/06)
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