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Tribunal
TJRN
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set/2026
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Intimação
TJRN · 2ª Vara da Comarca de Extremoz
AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 2ª VARA
DA COMARCA DE EXTREMOZ/RN, apresento
Processo: 0800219-74.2026.8.20.5162
Ação: Regulamentação da Convivência Familiar
Requerente: G. R. D. L.
Requerida: T. D. N. C.
Ao MM. Sr. Dr. Mark Clark Santiago Andrade – Juiz de Direito por Designação
Legal da 2ª Vara da Comarca de Extremoz/RN.
O presente Laudo Psicológico Pericial , elaborado por determinação judicial,
tem por finalidade avaliar as condições psicológicas e relacionais do infante
Danilo Israel Nascimento de Lima , considerando os contextos familiares
materno e paterno, em conformidade com as diretrizes do Conselho Federal de
Psicologia¹ e com o Estatuto da Criança e do Adolescente.²
A avaliação busca subsidiar a autoridade judiciária na compreensão da
dinâmica familiar, dos vínculos afetivos estabelecidos pela criança com seus
genitores, de suas condições emocionais atuais, do exercício das funções
parentais e dos eventuais fatores de risco e proteção relacionados ao seu
desenvolvimento.² ³
EXTREMOZ/RN, 29.08.2026
1
1) IDENTIFICAÇÃO
Processo: 0800219-74.2026.8.20.5162
Ação: Regulamentação da Convivência Familiar
Requerente: G. R. D. L.
Requerida: T. D. N. C.
Infante: Danilo Israel Nascimento de Lima
Autora: Fernanda Elizabeth Moura Estevam
Psicóloga Perita – CRP 17/5195 – Especialista em Saúde Mental
2) DESCRIÇÃO DA DEMANDA
O presente Laudo Psicológico Pericial decorre de determinação judicial no
âmbito de Ação de Regulamentação da Convivência Familiar , tendo como
requerente o Sr. Genison Rocha de Lima e como requerida a Sra. Tatiana do
Nascimento Costa .
A avaliação psicológica objetiva analisar a dinâmica relacional existente entre
Danilo e seus genitores, especialmente quanto à qualidade dos vínculos
afetivos, às condições emocionais da criança diante da convivência paterna e
aos fatores de risco e proteção relacionados ao seu desenvolvimento.² ⁵
Busca-se, ainda, analisar, no âmbito das atribuições da Psicologia, a presença
ou ausência de indicadores de interferência na formação psicológica da criança
em relação à figura paterna, bem como avaliar as condições psicológicas
relacionadas à organização e eventual ampliação da convivência paterno-filial.³
⁶
A análise é realizada à luz do princípio do melhor interesse da criança e da
proteção integral, observando-se os limites técnicos da avaliação psicológica e
2
distinguindo-se os acontecimentos relatados pelos participantes dos aspectos
efetivamente observados durante o processo pericial.¹ ² ³
3) PROCEDIMENTOS
Para realização da presente perícia psicológica foram conduzidas entrevistas
psicológicas individuais e observação clínica , contemplando aspectos
relacionados à história familiar, dinâmica relacional, vínculos socioafetivos,
exercício das funções parentais, rotina da criança e condições emocionais
relacionadas à demanda judicial.³
Foram avaliados:
● Danilo Israel Nascimento de Lima , infante;
● T. D. N. C. , genitora;
● G. R. D. L. , genitor.
Em 25 de agosto de 2026 , foram realizados atendimentos presenciais com a
Sra. Tatiana do Nascimento Costa , genitora, e com o infante Danilo Israel
Nascimento de Lima , na residência de ambos. Os atendimentos realizados
nessa data totalizaram aproximadamente 02 (duas) horas .
Em 26 de agosto de 2026 , foi realizada entrevista psicológica presencial com
o Sr. Genison Rocha de Lima , genitor, em consultório, com duração
aproximada de 02 (duas) horas .
Dessa forma, o processo avaliativo totalizou aproximadamente 04 (quatro)
horas de avaliação .
Durante os atendimentos foram realizadas entrevistas psicológicas, com escuta
qualificada e levantamento de informações acerca da história familiar, dinâmica
relacional, vínculos socioafetivos, exercício das funções parentais, rotina de
Danilo e aspectos emocionais relacionados à demanda judicial.³
3
Ao longo dos atendimentos foi realizada observação clínica , considerando
comunicação, afetividade, organização emocional, percepção das relações
familiares, vínculos afetivos, exercício das funções parentais e demais
indicadores psicológicos pertinentes à demanda.³
O processo avaliativo foi desenvolvido observando-se os princípios técnicos,
éticos e metodológicos aplicáveis à avaliação psicológica e à elaboração
de documentos decorrentes do exercício profissional .¹ ³
4) ANÁLISE
4.1 – Entrevistas Psicológicas
4.1.1 – Entrevista Psicológica com a Sra. Tatiana do Nascimento Costa –
Genitora
A Sra. Tatiana relatou relacionamento conjugal de aproximadamente dez anos
com o genitor de Danilo, marcado por separações e posteriores tentativas de
reconciliação. Segundo seu relato, o encerramento da relação esteve
relacionado, entre outros fatores, às dificuldades quanto ao compromisso do
então companheiro com responsabilidades financeiras e familiares.
No que se refere à convivência paterno-filial, Tatiana apresentou significativa
insegurança quanto à capacidade do genitor de exercer os cuidados com
Danilo , manifestando receio em permitir períodos mais amplos de convivência
sem sua presença ou supervisão.
Entretanto, ao aprofundar os motivos de sua preocupação, verificou-se que sua
percepção encontra-se relacionada predominantemente ao entendimento de
que o genitor não realizaria os cuidados da mesma forma que ela , não
tendo sido apresentados, no âmbito da presente avaliação, elementos objetivos
suficientes que caracterizassem situação concreta de risco à integridade da
criança durante a convivência paterna.
4
Observou-se postura materna de elevada proteção em relação a Danilo ,
associada à dificuldade de confiar e delegar ao genitor responsabilidades
relativas aos cuidados do filho.
A qualidade e a previsibilidade das relações estabelecidas com as figuras de
cuidado constituem aspectos relevantes para a segurança emocional e para a
organização dos vínculos afetivos durante o desenvolvimento infantil.⁵ Nesse
sentido, mostra-se importante que a proteção oferecida à criança seja
conciliada com oportunidades adequadas ao desenvolvimento progressivo de
sua autonomia.
A genitora também reconheceu realizar comentários negativos acerca do pai
na presença da criança. Tal aspecto merece atenção diante da necessidade de
preservar Danilo das divergências existentes entre os adultos e permitir que
construa sua percepção acerca de cada genitor a partir de suas próprias
experiências relacionais.² ⁵
Durante a avaliação, foi relatada situação envolvendo a aquisição de
brinquedos pelo pai. Segundo a genitora, o genitor teria realizado gasto
aproximado de R$ 200,00 em brinquedos, enquanto, em sua compreensão,
Danilo necessitava de outros itens. Posteriormente, observou-se que a criança
reproduziu conteúdo semelhante à fala anteriormente utilizada pela mãe.
Esse episódio constitui elemento relevante para análise da dinâmica familiar,
na medida em que sugere que Danilo pode estar assimilando e reproduzindo
avaliações maternas acerca das condutas paternas , inclusive referentes a
questões financeiras e responsabilidades pertencentes ao universo dos
adultos.
Experiências familiares e discursos recorrentes podem influenciar a construção
de interpretações pela criança acerca das relações e das figuras significativas
de seu contexto familiar.⁴ ⁵
Também foi possível perceber sofrimento da genitora relacionado à separação
conjugal, às responsabilidades financeiras e à percepção de ausência de uma
rede de apoio suficientemente disponível.
5
4.1.2 – Entrevista Psicológica com o Sr. G. R. D. L. – Genitor
O Sr. Genison relatou histórico conjugal de aproximadamente dez anos com a
genitora de Danilo e descreveu conflitos que culminaram na dissolução da
relação.
Referiu dificuldades posteriores para estabelecer convivência regular com o
filho, afirmando perceber resistência da genitora à ampliação do contato
paterno-filial. Relatou ter buscado judicialmente a regulamentação da
convivência com Danilo.
O genitor demonstrou interesse na manutenção e ampliação do vínculo com o
filho. Contudo, os elementos avaliados também indicam necessidade de maior
participação paterna nas responsabilidades cotidianas relacionadas à
educação e ao desenvolvimento de Danilo .
Embora a relação entre pai e filho apresente aspectos afetivos positivos e seja
permeada por momentos de lazer e diversão, observa-se que o exercício da
função paterna necessita avançar para além do contexto predominantemente
recreativo.
Mostra-se importante maior envolvimento do genitor no acompanhamento da
vida escolar de Danilo, participação em atividades e eventos significativos para
a criança, aproximação com sua escola, acompanhamento de seu
desenvolvimento e comportamento, bem como presença em atividades
extracurriculares, a exemplo da escola de música .
O exercício da parentalidade pressupõe não somente experiências prazerosas,
lazer ou aquisição de presentes, mas também cuidado, orientação,
estabelecimento de limites, acompanhamento educacional e
corresponsabilidade pelas demandas cotidianas da criança .² ⁵
4.1.3 – Entrevista Psicológica com Danilo Israel Nascimento de Lima –
Infante
6
Durante a avaliação, Danilo apresentou aspectos emocionais preservados ,
não sendo identificados indicadores de comprometimento emocional
significativo relacionados à figura paterna.
A criança demonstrou boa relação afetiva com o pai e não apresentou
manifestações indicativas de medo, rejeição ou aversão ao genitor.
Quando questionado acerca de como era permanecer com o pai, Danilo relatou
que gostava bastante de ficar com ele e que se divertia durante os
períodos de convivência , demonstrando percepção positiva das experiências
compartilhadas com o genitor.
A manifestação apresentada mostrou-se compatível com a existência de
vínculo afetivo positivo e preservado entre pai e filho. A qualidade das relações
estabelecidas com as figuras parentais constitui elemento relevante para a
construção da segurança emocional durante o desenvolvimento infantil.⁵
Paralelamente, observa-se em Danilo significativo apego à figura materna,
inserido em contexto no qual a mãe apresenta postura de elevada proteção.
Embora o vínculo materno constitua importante referência afetiva para a
criança, mostra-se relevante favorecer oportunidades progressivas para o
desenvolvimento de sua autonomia e para a construção de relações de
cuidado com ambas as figuras parentais.² ⁵
Também se observou que Danilo reproduziu conteúdo semelhante a uma fala
materna de crítica ao comportamento do genitor relacionada à aquisição de
brinquedos. Esse dado sugere a necessidade de atenção à exposição da
criança aos posicionamentos e conflitos existentes entre os adultos.
Importa ressaltar, entretanto, que a reprodução desse conteúdo coexiste com
uma percepção afetiva positiva do pai , não tendo resultado, até o momento
da avaliação, em rejeição consolidada da figura paterna.
4.2 – Descrição da Conduta dos Examinados Durante o Processo de
Avaliação
7
Os elementos obtidos indicam dificuldades significativas na comunicação e no
exercício da coparentalidade entre os genitores, especialmente quanto à
definição das responsabilidades parentais e à organização da convivência
paterno-filial.
Tatiana demonstra elevada preocupação com os cuidados destinados ao filho e
dificuldade em confiar no exercício autônomo da parentalidade pelo genitor.
Essa postura, embora relacionada à sua compreensão acerca das
necessidades de Danilo, pode repercutir na autonomia da criança e na
possibilidade de desenvolvimento de uma relação paterno-filial independente
da supervisão materna.
Genison, por sua vez, demonstra interesse na convivência e preserva relação
afetiva positiva com o filho. Contudo, observa-se necessidade de ampliar sua
participação concreta nas responsabilidades relacionadas à educação, rotina,
acompanhamento escolar e demais atividades importantes para o
desenvolvimento de Danilo.
Nesse sentido, identificam-se movimentos necessários por parte de ambos os
genitores : à mãe, favorecer maior autonomia da criança e maior espaço para o
exercício da função paterna; ao pai, ampliar sua responsabilização e
participação efetiva no cotidiano do filho.
Em relação especificamente a Danilo, seus aspectos emocionais encontram-se
preservados, sendo observada boa vinculação afetiva com o pai e satisfação
em relação aos períodos de convivência paterna.
4.3 – RESULTADOS
4.3.1 – Condições Psicológicas e Relacionais no Contexto Familiar
Materno
Danilo apresenta vínculo significativo com a genitora, sendo esta importante
referência de cuidado em sua vida cotidiana.
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Entretanto, observou-se dinâmica caracterizada por elevada proteção
materna , acompanhada de insegurança quanto à capacidade do genitor de
cuidar autonomamente da criança.
Embora a preocupação materna deva ser acolhida e considerada, os
elementos apresentados durante a avaliação não evidenciaram situação
objetiva de risco que justifique, sob a perspectiva psicológica, a manutenção da
convivência paterna exclusivamente sob supervisão da mãe.
A diferenciação entre estilos parentais também se mostra necessária. O fato de
o genitor não exercer os cuidados exatamente da mesma forma que a genitora,
isoladamente, não constitui elemento suficiente para caracterização de risco.
Nesse contexto, mostra-se importante favorecer experiências compatíveis com
o estágio de desenvolvimento da criança que possibilitem maior autonomia e
manutenção de vínculos seguros com ambas as figuras parentais.² ⁵
4.3.2 – Condições Psicológicas e Relacionais no Contexto Familiar
Paterno
No contexto paterno, os elementos obtidos indicam vínculo afetivo positivo e
preservado entre Danilo e Genison .
A criança refere satisfação durante os períodos de convivência, afirmando
gostar de permanecer com o pai e se divertir em sua companhia. Não foram
observados elementos indicativos de medo, aversão ou sofrimento
relacionados diretamente à presença do genitor.
Por outro lado, mostra-se necessária maior participação paterna nas
dimensões educacionais e cotidianas da vida de Danilo.
Recomenda-se que Genison amplie seu envolvimento com a escola, atividades
extracurriculares, eventos, compromissos, estabelecimento de limites e demais
responsabilidades relacionadas à educação do filho.
A consolidação da função paterna demanda, portanto, que a relação não se
restrinja predominantemente aos momentos de lazer, mas seja acompanhada
9
de maior corresponsabilização pelo cuidado e desenvolvimento da
criança .² ⁵
4.3.3 – Análise dos Indicadores Relacionados à Interferência na Relação
Paterno-Filial
Durante a avaliação foram identificados elementos sugestivos de
interferência materna na percepção de Danilo acerca da figura paterna .
A genitora reconheceu realizar comentários negativos acerca do pai na
presença do filho. Além disso, foi identificada situação na qual Danilo
reproduziu conteúdo semelhante ao discurso materno envolvendo crítica à
decisão do genitor de adquirir brinquedos enquanto, segundo a percepção da
mãe, outras necessidades deveriam ter sido priorizadas.
A reprodução pela criança de conteúdos avaliativos referentes às decisões
financeiras e parentais dos adultos sugere possível assimilação do discurso
materno e demonstra a necessidade de preservar Danilo de questões
pertencentes ao conflito entre os genitores.
Esses elementos podem favorecer interferência na construção da
representação paterna e repercutir sobre a relação pai-filho, especialmente
caso ocorram de forma reiterada.⁴ ⁵
No que se refere à hipótese de alienação parental, a análise psicológica deve
considerar o conjunto dos elementos obtidos, evitando-se estabelecer
conclusões causais ou jurídicas que ultrapassem os dados efetivamente
produzidos durante o processo avaliativo.¹ ³ ⁶
Dessa forma, os achados constituem indicadores psicológicos de possível
interferência materna na relação paterno-filial , porém não se mostra
tecnicamente adequado estabelecer, exclusivamente a partir desses
elementos, conclusão jurídica definitiva acerca da ocorrência de alienação
parental.⁶
Ressalta-se que, apesar desses elementos, Danilo mantém relação afetiva
positiva com o pai, não apresentando rejeição consolidada à figura paterna.
10
4.3.4 – Análise dos Indicadores de Risco na Convivência Paterna
No âmbito da presente avaliação, não foram identificados elementos
técnicos, clínicos ou comportamentais que indiquem risco à integridade
física, psíquica ou moral de Danilo decorrente da convivência com o
genitor .
A preocupação manifestada pela genitora encontra-se predominantemente
associada à percepção de que o pai exerce os cuidados de maneira diferente
daquela que ela considera adequada. Os elementos avaliados não
demonstraram que essas diferenças representem, por si, risco concreto à
criança.
Danilo apresenta relato positivo acerca dos momentos compartilhados com o
pai e não demonstrou medo, aversão ou sofrimento relacionado à convivência
paterna.
Da mesma forma, não foram identificados elementos psicológicos que, no
âmbito desta avaliação, contraindiquem a realização de pernoites na
residência paterna , desde que sejam preservadas condições adequadas de
cuidado, rotina e atendimento às necessidades da criança.
4.3.5 – Condições Emocionais, Autonomia e Necessidades Atuais de
Danilo
Danilo apresenta, no momento da avaliação, aspectos emocionais
preservados , mantendo vínculos afetivos significativos com ambos os
genitores.
Considerando o apego apresentado em relação à figura materna e a dinâmica
de elevada proteção exercida pela mãe, entende-se que experiências
progressivas de convivência autônoma com o pai podem contribuir para o
desenvolvimento da autonomia emocional da criança e para o fortalecimento
do vínculo paterno-filial.⁵
A ampliação da convivência paterna deverá ser acompanhada de maior
participação de Genison nas responsabilidades inerentes à função parental,
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permitindo que a relação com o filho contemple não apenas experiências
recreativas, mas também cuidado, orientação, educação, acompanhamento e
estabelecimento de limites.² ⁵
Danilo necessita, ainda, ser preservado dos conflitos existentes entre os
adultos, especialmente de comentários depreciativos, questões financeiras,
acusações e demais conteúdos referentes à relação conjugal ou ao processo
judicial.²
5) RESPOSTAS AOS QUESITOS
5.1 – Quesito 1
Qual é o estado emocional atual do infante Danilo Israel Nascimento de
Lima em relação à figura paterna?
Durante a avaliação, Danilo apresentou aspectos emocionais preservados
em relação à figura paterna , demonstrando vínculo afetivo positivo com o
genitor. Não foram observadas manifestações significativas de medo, rejeição,
aversão ou resistência ao pai.
Ao abordar as experiências de convivência paterna, a criança apresentou
conteúdo afetivamente positivo, relatando gostar dos períodos em que
permanece com o genitor e referindo que se diverte em sua companhia.
Observa-se, entretanto, que essa relação ocorre em contexto de conflito entre
os genitores, especialmente marcado pela insegurança materna quanto à
capacidade de cuidado do pai, circunstância que pode interferir na forma como
Danilo constrói e organiza sua percepção acerca da figura paterna.⁴ ⁵
5.2 – Quesito 2
O infante demonstra, em avaliação clínica, desejo espontâneo de manter
convivência com o genitor, Genison Rocha de Lima? Em caso afirmativo,
de que forma esse desejo se manifesta e quais os elementos técnicos que
permitem distingui-lo de eventual indução externa?
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Sim. Durante a avaliação, Danilo apresentou manifestação espontaneamente
favorável à convivência com o genitor . Quando questionado acerca dos
períodos em que permaneceu com o pai, relatou gostar bastante de ficar com
ele e se divertir durante esses momentos.
A manifestação verbal mostrou-se coerente com os demais elementos
observados acerca da relação paterno-filial, não tendo sido identificados
indicadores comportamentais ou emocionais de medo, aversão ou rejeição ao
pai.
Não foram identificados elementos suficientes para atribuir a manifestação
positiva de Danilo à indução externa. Por outro lado, observou-se que a criança
reproduziu, em determinada situação, conteúdo semelhante a uma crítica
anteriormente expressa pela genitora acerca do comportamento paterno. Tal
elemento demonstra que Danilo pode assimilar conteúdos provenientes do
discurso dos adultos, razão pela qual suas manifestações devem ser
compreendidas a partir do conjunto dos dados obtidos durante o processo
avaliativo.³ ⁴
5.3 – Quesito 3
O padrão de convivência atualmente praticado (contato restrito a
ambientes monitorados pela genitora, por curtos períodos) é compatível
com o desenvolvimento emocional saudável da criança? Justifique
tecnicamente.
Os elementos obtidos na avaliação não evidenciaram necessidade
psicológica de que a convivência entre Danilo e o genitor permaneça
restrita a ambientes monitorados pela genitora ou exclusivamente a
períodos curtos .
A genitora apresenta significativa insegurança quanto aos cuidados paternos.
Contudo, ao ser investigada a natureza dessa preocupação, verificou-se que
ela decorre predominantemente da percepção de que o genitor não exerce os
cuidados da mesma maneira que a mãe, não tendo sido identificados
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elementos objetivos suficientes que indiquem situação concreta de risco à
criança.
Considerando o vínculo afetivo positivo existente entre Danilo e seu pai, bem
como a ausência de indicadores psicológicos de risco, entende-se que uma
convivência regular, previsível e com maior autonomia pode favorecer a
preservação e o fortalecimento do vínculo paterno-filial.
Além disso, diante do significativo apego de Danilo à figura materna e da
dinâmica de elevada proteção observada, experiências adequadas de
convivência autônoma com o pai podem contribuir para o desenvolvimento
progressivo da autonomia da criança.² ⁵
5.4 – Quesito 4
Foram identificados, na avaliação psicológica, elementos indicativos de
interferência na formação psicológica do infante em relação à figura
paterna, nos termos do art. 2º da Lei nº 12.318/2010?
Foram identificados elementos sugestivos de interferência materna na
percepção de Danilo acerca da figura paterna .
A genitora reconheceu realizar comentários negativos acerca do pai na
presença da criança. Também foi observada situação na qual Danilo reproduziu
conteúdo semelhante a uma crítica anteriormente manifestada pela mãe acerca
da aquisição de brinquedos pelo genitor, envolvendo avaliação sobre a
utilização de recursos financeiros e outras necessidades da criança.
Esse episódio sugere possível assimilação, por Danilo, de conteúdos
avaliativos provenientes do discurso materno acerca das condutas paternas.
Do ponto de vista psicológico, portanto, foram observados indicadores que
sugerem interferência materna na relação paterno-filial . Contudo, tais
elementos devem ser analisados em seu conjunto, não sendo tecnicamente
adequado converter os achados psicológicos, isoladamente, em conclusão
jurídica definitiva acerca da ocorrência de alienação parental.¹ ³ ⁶
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Ressalta-se que, apesar dos elementos identificados, Danilo mantém vínculo
afetivo positivo com o pai e não apresenta rejeição consolidada à figura
paterna.
5.5 – Quesito 5
Existe algum elemento técnico, clínico ou comportamental que indique
risco à integridade física, psíquica ou moral do infante em decorrência de
sua convivência com o genitor, inclusive com pernoites?
Não foram identificados, no âmbito da presente avaliação, elementos
técnicos, clínicos ou comportamentais que indiquem risco à integridade
física, psíquica ou moral de Danilo decorrente da convivência com o
genitor.
A criança relata experiências positivas durante os períodos em que permanece
com o pai, referindo gostar da convivência e divertir-se em sua companhia, não
tendo apresentado manifestações significativas de medo, aversão ou
sofrimento relacionadas ao genitor.
As preocupações manifestadas pela genitora mostraram-se
predominantemente relacionadas à percepção de que o pai exerce os cuidados
de maneira diferente daquela adotada por ela. A existência de diferenças entre
os estilos de cuidado parental não constitui, por si só, indicador psicológico de
risco.
Da mesma forma, não foram identificados elementos psicológicos que
contraindiquem, por si sós, a realização de pernoites com o genitor , desde
que sejam asseguradas condições adequadas de cuidado e preservadas as
necessidades, rotina e atividades da criança.² ³
5.6 – Quesito 6
O afastamento prolongado e não regulamentado entre pai e filho está
causando prejuízo ao desenvolvimento emocional e psíquico da criança?
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Quais os reflexos identificados e qual o prognóstico caso o afastamento
se mantenha?
Quanto ao afastamento paterno-filial, não foram identificados, no momento
da avaliação, elementos suficientes para afirmar a existência de prejuízo
emocional ou psíquico significativo já instalado em Danilo , encontrando-se
seus aspectos emocionais preservados.
Contudo, considerando a existência de vínculo afetivo positivo com o genitor, a
manutenção prolongada de convivência restrita, irregular ou excessivamente
condicionada ao conflito entre os adultos poderá constituir fator desfavorável à
preservação e ao fortalecimento desse vínculo.
A exposição reiterada da criança a avaliações negativas acerca da figura
paterna também poderá influenciar progressivamente sua representação sobre
o genitor.
Sob a perspectiva psicológica, o prognóstico tende a ser mais favorável
mediante estabelecimento de convivência regular, previsível e protegida
dos conflitos parentais , possibilitando que Danilo construa sua relação com o
pai a partir de experiências próprias.² ⁴ ⁵
5.7 – Quesito 7
O infante demonstrou, durante a avaliação, vínculo afetivo consolidado
com o genitor? Como esse vínculo se manifesta, ainda que diante do
período de afastamento?
Os elementos obtidos são compatíveis com a existência de vínculo afetivo
positivo e preservado entre Danilo e o genitor .
Esse vínculo manifesta-se especialmente pela maneira favorável como a
criança se refere aos períodos de convivência paterna, relatando gostar de
permanecer com o pai e se divertir em sua companhia.
Também não foram observadas manifestações significativas de medo, rejeição
ou aversão ao genitor. Assim, apesar das dificuldades existentes na
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organização da convivência e dos conflitos entre os adultos, a relação afetiva
paterno-filial encontra-se preservada.⁵
5.8 – Quesito 8
A implementação de um regime de convivência regular com pernoites
alternados (sexta-feira a domingo) é recomendável sob a perspectiva
psicológica? Caso negativo, indique os fundamentos técnicos e as
condições necessárias para sua viabilização futura.
Considerando os elementos obtidos durante a presente avaliação, não foram
identificados fatores psicológicos que contraindiquem a implementação
de convivência regular com o genitor, inclusive com pernoites em finais
de semana alternados .
Danilo apresenta vínculo afetivo positivo com o pai, manifesta satisfação em
relação aos períodos em que permanece com ele e não apresenta indicadores
de medo, rejeição ou sofrimento associados à convivência paterna.
Sob a perspectiva psicológica, a convivência regular e autônoma poderá
contribuir para o fortalecimento da relação paterno-filial e para o
desenvolvimento progressivo da autonomia de Danilo.² ⁵
Recomenda-se, entretanto, que a ampliação da convivência seja acompanhada
de maior participação do genitor nas responsabilidades cotidianas da
criança . O exercício da função paterna deve compreender não somente
atividades recreativas, lazer e aquisição de presentes, mas também
acompanhamento da vida escolar, participação em atividades extracurriculares,
incluindo a escola de música, estabelecimento de limites, cuidados cotidianos e
demais responsabilidades inerentes à parentalidade.
Também se recomenda previsibilidade quanto aos dias e horários de retirada e
retorno da criança, preservação de sua rotina e manutenção de seus
compromissos escolares e extracurriculares.
5.9 – Quesito 9
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Com base na avaliação realizada, qual regime de convivência o(a)
perito(a) recomenda como mais adequado ao melhor interesse da criança,
observando os princípios da proteção integral e do desenvolvimento
saudável?
Considerando o conjunto dos elementos avaliados, recomenda-se, sob a
perspectiva psicológica, a regularização e ampliação da convivência
paterna , possibilitando que Danilo estabeleça períodos regulares, previsíveis e
autônomos de convivência com o genitor.²
Não tendo sido identificados indicadores psicológicos de risco ou
contraindicação aos pernoites, mostra-se possível a organização de finais de
semana alternados com pernoite , observando-se horários previamente
estabelecidos e a preservação da rotina, dos compromissos escolares, da
escola de música e das demais atividades relevantes para a criança.
A ampliação da convivência poderá contribuir para o fortalecimento do vínculo
paterno-filial e para o desenvolvimento progressivo da autonomia de Danilo,
particularmente diante do significativo apego à figura materna e da dinâmica de
elevada proteção observada.⁵
Recomenda-se, concomitantemente, que a genitora favoreça maior autonomia
à relação entre pai e filho, evitando comentários depreciativos acerca do
genitor ou a exposição de Danilo a questões conjugais, financeiras e judiciais.
Ao genitor, recomenda-se ampliar sua participação efetiva e
corresponsabilidade na educação e no cotidiano do filho , de maneira que o
exercício da função paterna não permaneça predominantemente associado a
momentos recreativos, mas contemple igualmente acompanhamento escolar,
atividades extracurriculares, cuidados, orientação, estabelecimento de limites e
demais responsabilidades parentais.
Por fim, recomenda-se que ambos os genitores preservem Danilo dos
conflitos existentes entre os adultos , favorecendo comunicação parental
objetiva acerca das necessidades da criança e assegurando-lhe liberdade
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emocional para manter e desenvolver seus vínculos afetivos com ambos os
responsáveis.² ⁵
As respostas aos presentes quesitos possuem natureza psicológica ,
limitando-se aos elementos obtidos durante o processo avaliativo e
destinando-se a subsidiar a apreciação da autoridade judiciária em conjunto
com os demais elementos constantes dos autos.¹ ³
6) CONCLUSÃO
Em atendimento à determinação judicial e considerando os elementos obtidos
por meio das entrevistas psicológicas e da observação clínica, verifica-se que
Danilo Israel Nascimento de Lima apresenta, no momento da avaliação,
aspectos emocionais preservados e mantém vínculos afetivos
significativos com ambos os genitores .
Especificamente em relação à figura paterna, Danilo demonstra boa relação
afetiva com Genison , manifestando satisfação com os períodos de
convivência. Quando questionado acerca dos momentos em que permanece
com o pai, relatou gostar bastante e se divertir em sua companhia, não tendo
sido identificados indicadores significativos de medo, rejeição ou aversão ao
genitor.
A preservação de vínculos afetivos estáveis e previsíveis com as figuras
parentais constitui elemento relevante para a segurança emocional e o
desenvolvimento infantil.⁵
No âmbito da presente avaliação, não foram identificados elementos
técnicos, clínicos ou comportamentais que indiquem risco à integridade
física, psíquica ou moral da criança decorrente da convivência paterna ,
tampouco elementos psicológicos que, por si sós, contraindiquem a realização
de pernoites.
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A insegurança manifestada pela genitora encontra-se relacionada
predominantemente à percepção de que o pai não exerce os cuidados da
mesma maneira que ela. Observa-se postura de elevada proteção materna e
dificuldade em conferir maior autonomia à relação entre Danilo e seu pai.
Foram identificados, ainda, elementos sugestivos de interferência materna
na construção da percepção da criança acerca da figura paterna ,
especialmente diante do reconhecimento de comentários negativos sobre o
genitor na presença do filho e da reprodução, por Danilo, de conteúdo
semelhante a uma crítica materna acerca das condutas paternas.
A exposição da criança aos conflitos e posicionamentos dos adultos pode
influenciar suas interpretações acerca das relações familiares, devendo-se
preservar seu direito de construir vínculos com ambos os genitores sem ser
colocada na posição de participante das divergências parentais.² ⁴ ⁵
Os elementos identificados demandam atenção e orientação. Entretanto,
ressalta-se que a caracterização jurídica de alienação parental compete à
autoridade judicial , devendo os achados psicológicos ser apreciados em
conjunto com os demais elementos probatórios constantes dos autos.¹ ³ ⁶
Apesar das dificuldades existentes entre os adultos, o vínculo de Danilo com o
pai encontra-se preservado , não tendo sido identificada rejeição consolidada à
figura paterna.
Por outro lado, verificou-se necessidade de maior responsabilização e
participação de Genison na vida cotidiana e educacional do filho .
Recomenda-se que o genitor amplie seu envolvimento no acompanhamento
escolar, nas atividades extracurriculares, incluindo a escola de música, nos
eventos significativos para Danilo, no estabelecimento de limites e nas demais
responsabilidades inerentes ao exercício da parentalidade.
A relação paterno-filial não deve permanecer centrada predominantemente nos
momentos recreativos, na diversão ou na aquisição de presentes, sendo
importante que o genitor exerça igualmente funções de cuidado, orientação,
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educação, estabelecimento de limites e acompanhamento do
desenvolvimento da criança .²
Diante do conjunto dos elementos avaliados, entende-se como
psicologicamente favorável a regularização e ampliação da convivência
paterna , possibilitando períodos de convivência autônoma entre pai e filho e,
não havendo outros impedimentos externos aos aspectos avaliados nesta
perícia, finais de semana alternados com pernoite.
Tal ampliação poderá favorecer tanto o fortalecimento do vínculo paterno-filial
quanto o desenvolvimento progressivo da autonomia de Danilo, especialmente
diante do apego à figura materna e da dinâmica de elevada proteção
identificada.⁵
Recomenda-se, portanto, um movimento complementar entre os genitores: à
genitora, favorecer maior autonomia de Danilo e permitir espaço para o
exercício da função paterna, evitando a exposição da criança a críticas e
conflitos relacionados ao pai; ao genitor, assumir maior participação e
corresponsabilidade na educação, rotina, limites e demais necessidades
do filho .
Recomenda-se igualmente que ambos os genitores preservem Danilo das
divergências conjugais, financeiras e judiciais , abstendo-se de utilizá-lo
como intermediário de informações ou de compartilhar conteúdos destinados à
responsabilização ou desqualificação do outro responsável.² ⁵
A organização de uma convivência previsível, regular e protegida dos conflitos
dos adultos mostra-se, no momento, a alternativa psicologicamente mais
favorável à preservação dos vínculos afetivos, ao desenvolvimento da
autonomia e ao melhor interesse de Danilo.² ⁵
As presentes considerações possuem natureza psicológica e destinam-se a
subsidiar a decisão judicial, cabendo à autoridade competente sua apreciação
em conjunto com os demais elementos constantes dos autos.¹ ² ³
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Diante do exposto, encaminha-se o presente Laudo Psicológico Pericial à
apreciação de Vossa Excelência, colocando-se a profissional à disposição para
os esclarecimentos técnicos que se fizerem necessários.
7) REFERENCIAL TEÓRICO
¹ CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 06, de 29 de
março de 2019. Institui regras para a elaboração de documentos escritos
produzidos pela(o) psicóloga(o) no exercício profissional.
² BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da
Criança e do Adolescente e dá outras providências.
³ CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 31, de 15 de
dezembro de 2022. Estabelece diretrizes para a realização de Avaliação
Psicológica no exercício profissional da psicóloga e do psicólogo e regulamenta
o SATEPSI.
⁴ BECK, Judith S. Terapia Cognitivo-Comportamental: teoria e prática. 3.
ed. Porto Alegre: Artmed, 2022.
⁵ BOWLBY, John. Uma Base Segura: aplicações clínicas da teoria do
apego. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.
⁶ BRASIL. Lei nº 12.318, de 26 de agosto de 2010. Dispõe sobre a alienação
parental.
Extremoz/RN, 29 de Agosto de 2026.
Fernanda Elizabeth Moura Estevam
Psicóloga CRP 17/5195
“ O conteúdo deste resultado é sigiloso. O uso que dele venha a ser feito é de inteira
responsabilidade do requerente. ”
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