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Processo 0220263-83.2026.8.04.1000

Comunicações públicas identificadas no Diário da Justiça Eletrônico Nacional. Esta página não informa resultado ou situação processual.

Tribunal
TJAM
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2026-09-16

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2026-09-16 · TJAM

Vistos, etc. Trata-se de ação proposta por REGINALDO DA SILVA SANTOS FILHO em face de Banco Inter, na qual a parte autora sustenta, em síntese, a inexistência de relação jurídica que justifique a vinculação de seu nome junto ao Banco Central do Brasil, especificamente no CCS – Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional, disponibilizado para consulta por meio do Registrato. Requer, em razão disso, a exclusão do registro e a condenação da parte requerida ao pagamento de indenização por danos morais. Vieram-me os autos conclusos. Dispensado o relatório, nos termos do artigo 38, caput, da Lei n.º 9.099/95. Passo ao julgamento. A controvérsia cinge-se a verificar a legitimidade do registro da parte autora no CCS – Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional, diante da alegação de inexistência de relação jurídica com a instituição requerida. Inicialmente, cumpre esclarecer que o CCS não constitui cadastro de inadimplentes ou órgão de proteção ao crédito. Trata-se de sistema mantido pelo Banco Central do Brasil destinado ao registro de informações relativas aos relacionamentos mantidos por pessoas físicas e jurídicas com instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional. Assim, a simples existência de apontamento no CCS não significa que o consumidor esteja negativado, inadimplente ou sujeito a restrição de crédito. O sistema possui natureza eminentemente cadastral, servindo ao registro da existência de relacionamento entre o cliente e a instituição financeira. No caso concreto, a parte autora afirma não reconhecer o relacionamento indicado no CCS. Contudo, a requerida apresentou documentação suficiente para demonstrar que o cadastro foi efetivamente realizado pela própria parte autora, com a abertura de relacionamento junto à instituição financeira. A circunstância de a conta ou o produto bancário não ter sido posteriormente utilizado, movimentado ou permanecido em atividade não descaracteriza o relacionamento anteriormente constituído, tampouco torna indevido o respectivo registro no CCS. Com efeito, não se pode confundir a inexistência de utilização da conta com inexistência de cadastro ou de relacionamento bancário. São situações distintas. Uma vez demonstrado que a parte autora realizou o procedimento de cadastro e que dele resultou a abertura de relacionamento junto à instituição financeira, mostra-se legítimo o correspondente registro no sistema cadastral do Banco Central, ainda que, posteriormente, a conta não tenha sido movimentada ou utilizada para operações financeiras. A pretensão da parte autora somente encontraria amparo caso demonstrada a inexistência do relacionamento registrado, a falsidade da informação ou a manutenção de dado cadastral incorreto. Não é, porém, o que se verifica nos autos. Ao contrário, a documentação apresentada pela requerida constitui elemento suficiente para comprovar a origem do registro impugnado, afastando a alegação de que a informação tenha sido inserida de forma unilateral, aleatória ou sem qualquer vínculo com a parte autora. Ademais, não se verifica nos autos qualquer informação de natureza desabonadora. O registro questionado não corresponde a inscrição em cadastro restritivo de crédito, mas apenas à indicação da existência de relacionamento cadastral entre a parte autora e a instituição requerida. Desse modo, o fato de a parte autora não ter utilizado a conta posteriormente não transforma em inexistente o cadastro que efetivamente realizou, nem torna ilícita a informação encaminhada ao Banco Central. Também não há demonstração de que o registro tenha ocasionado recusa concreta de crédito, restrição financeira, majoração de juros ou qualquer outra consequência capaz de caracterizar efetiva lesão aos direitos da personalidade. O dano moral não decorre automaticamente da simples existência de registro no CCS. Para sua configuração, seria necessária a demonstração de circunstância excepcional, notadamente a existência de informação falsa, irregular ou indevidamente mantida, acompanhada de efetiva lesão juridicamente relevante. No presente caso, a informação registrada corresponde à realidade documental demonstrada nos autos: houve cadastro e relacionamento junto à instituição requerida. A posterior ausência de movimentação da conta, por si só, não é suficiente para infirmar a legitimidade do registro. Portanto, não comprovada a inexistência da relação cadastral e demonstrado que o próprio consumidor realizou o cadastro que originou o apontamento, inexiste ato ilícito a ser imputado à instituição financeira. Da mesma forma, ausente conduta ilícita e inexistente demonstração de efetivo dano à esfera extrapatrimonial da parte autora, não há fundamento para indenização por danos morais. Em síntese, a prova produzida pela requerida é suficiente para afastar a alegação de inexistência de relacionamento, enquanto a parte autora não se desincumbiu de demonstrar fato capaz de invalidar o cadastro ou evidenciar a irregularidade da informação encaminhada ao Banco Central. Assim, reconheço a regularidade do registro impugnado, sendo incabível a determinação de sua exclusão ou o pagamento de indenização por danos morais. Ante o exposto, JULGO IMPROCEDENTES os pedidos formulados por REGINALDO DA SILVA SANTOS FILHO em face de Banco Inter, resolvendo o mérito da demanda, nos termos do artigo 487, inciso I, do Código de Processo Civil. Sem custas e honorários advocatícios nesta fase, na forma do artigo 55 da Lei n.º 9.099/95. Interposto recurso de embargos de declaração, intime-se a parte contrária para se manifestar no prazo legal. Em caso de Recurso Inominado, processe-se nos termos do artigo 42 da Lei n.º 9.099/95 e do Provimento n.º 256 – CGJ/TJAM, abrindo-se vista à parte contrária para apresentação de contrarrazões, por ato ordinatório, independentemente de nova conclusão, considerando que o juízo de admissibilidade constitui matéria da E. Instância Recursal. Após, com ou sem provocação, subam os autos à Turma Recursal, com as cautelas de praxe e homenagens deste Juízo. Em caso de trânsito em julgado, arquivem-se os autos, sem prejuízo de eventual desarquivamento para o cumprimento das obrigações determinadas na sentença/acórdão. Em eventual cumprimento de obrigação de pagar quantia certa, deverá a parte vencedora iniciar a execução com a juntada da planilha de cálculos, a fim de que seja intimada a parte vencida para efetuar o pagamento do valor da condenação, no prazo de 15 (quinze) dias, sob pena de incidência da multa prevista no artigo 523, § 1º, do Código de Processo Civil. Em conformidade com a Súmula 410 do STJ, a prévia intimação pessoal constitui condição necessária para a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação de fazer e não fazer, razão pela qual se mostra necessária a intimação pessoal da parte que possui o dever de realizar o cumprimento. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. Cumpra-se.

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