2026-09-16 · STJ
AREsp 3355181/CE (2026/0262730-3) RELATOR:MINISTRO PRESIDENTE DO STJ AGRAVANTE:OBOÉ CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S/A AGRAVANTE:OBOÉ TÉCNOLOGIA E SERVIÇOS FINANCEIROS S. A AGRAVANTE:OBOÉ DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S. A AGRAVANTE:COMPANHIA DE INVESTIMENTO OBOÉ AGRAVANTE:ADVISOR GESTÃO DE ATIVOS S. A AGRAVANTE:OBOÉ HOLDING FINANCEIRA S. A. AGRAVANTE:JOSÉ NEWTON LOPES DE FREITAS AGRAVANTE:MAGAZINES BRASILEIROS LTDA AGRAVANTE:CLARINETE PROMOTORA DE VENDAS E SERVIÇOS FINANCEIROS LTDA ADVOGADOS:SIDNEY GUERRA REGINALDO - CE006923 LAERTE MEYER DE CASTRO ALVES - CE016119 AGRAVADO:JOSE GILBERTO CERQUEIRA ROCHA ADVOGADOS:CLAILSON CARDOSO RIBEIRO - CE013125 EVELINE ANDRADE ROCHA RIBEIRO - CE017244 DECISÃO 1. Trata-se de Agravo interposto por OBOÉ CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S/A e OUTROS, à decisão que inadmitiu Recurso Especial com fundamento no art. 105, III, da Constituição Federal. É o relatório. 2. Por meio da análise do recurso de OBOÉ CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S/A e OUTROS, verifica-se que incide a Súmula n. 284/STF, porquanto a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: “É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia”. Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26.8.2020.) Também, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, “uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF”. (AgRg no REsp 1.346.588/DF, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17.3.2014.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26.6.2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4.5.2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14.8.2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29.6.2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14.8.2020; REsp n. 1.114.407/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18.12.2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, Rel. Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17.12.2009. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte recorrente, no importe de 15% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. 3. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do recurso. Publique-se. Intimem-se. Presidente LUIS FELIPE SALOMÃO